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Opinião

Vivendo 71 dos 200 anos

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Já ia bem adiante nestes escritos quando, no domingo, sou presenteado com a reportagem de Larissa Bastos em nossa Gazeta de Alagoas. Seu histórico texto, ornamentado com belas e saudosas fotos, só fizeram atiçar minha vontade e lembrar que participei de uma terça parte destes 200 anos de Maceió. Se ?marcos referenciais que ajudavam a contar histórias, agora, jazem enterrados?, no dizer de Larissa, outros que sucumbiram pela evolução e pelo ciclo normal da vida também nos deixaram órfãos. Nascido e criado na antiga Rua do Macena, jogando ximbra e soltando pião na praça Deodoro do Teatro, do Tribunal de Justiça e do Grupo D. Pedro ll ? hoje A.A. de Letras ? lembro do quem-me-quer das meninas aos domingos à noite, do bar Suez, em frente à Portuguesa, do Café Afa dos Antunes, do Ponto Certo de Austerliano Souto Maior. Tudo bem pertinho da Praça do Pirulito e suas festas natalinas, com o cachorro quente do Lira e arriscando uns trocados na roleta da banca do Hélio Taveiros. Dos fins de noites no Bar Graci; dos Cines Ideal e Royal, onde trocávamos figurinhas antes da sessão de seriado; dos bondes e dos bigus na plataforma subindo a rua do Livramento, hoje Senador Mendonça, passando pela nossa Brêda & Irmão, pela Casa Borborema e saltando para tomar um sorvete na Shangay, do china Fon. Do Salão Suez, da Casa N. S. dos Prazeres, todos no Edifício Maceió do dr. A. C. Simões. Ainda na mesma rua, tomar umas no Bar do Chopp olhando a Helvética, Leite Bastos dos guarda-chuvas e sombrinhas, deixando o Fórum e o Hotel Luso Brasileiro pra trás. Dos carros de praça, embriões dos táxis, e seus pontos de parada: Ideal, Brêda e Palmares. Quando vi a foto da estátua de Mercúrio, vieram-me as maratonas, exatamente naquele local, durante os quinze dias pré-carnavalescos. E também o corso no Carnaval, pela rua do Comércio até a praça dos Martírios, onde as batalhas de lança-perfume, confete e serpentina inebriavam os contendores. Na mesma rua, os bate-papos encostados nos carros dos frequentadores do Cinearte ou jogando uma partida de sinuca no Bilhar do Comércio. Ver a exposição anual de A Brasileira, de Magalhães & Cia, as máquinas de costura da Loja Singer e os quitutes do Bar Cristal; Quatro e Quatrocentos ou Lojas Brasileiras por Preço Limitado; Drogarias Globo e Minerva, os lustres da ?britânica? Casa Leahy, do velho Mário Leahy e de Normande & Cia de Durval Coêlho Normande ou comprar alimentos importados no Bar Colombo. Sem esquecer as Lojas Seta Para Homens, a Manacá e a Casa Neno. Nada disso também existe mais, a não ser na lembrança daqueles que viveram e gozaram de uma época inesquecível da nossa, hoje, bicentenária Maceió.

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