Opinião
Desigualdade regional come�a na Educa��o
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, veio a Alagoas na última segunda-feira, 21, para assinar o termo de adesão do Estado ao novo modelo do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic). No discurso que fez, no Palácio República dos Palmares, o ministro declarou que o propósito do governo é investir na região Nordeste. ?O país só vai evoluir se o Nordeste se desenvolver. Nosso desafio acontece onde as dificuldades são maiores. Se a região tem 27% da população brasileira, mas apenas 13% participa com o PIB (Produto Interno Bruto), o desenvolvimento sempre vai ser inferior? - afirmou Mercadante. Correta a avaliação externada pelo ministro. Não há dúvidas quanto ao atraso do Nordeste em diversas áreas, consequência da desproporcional atenção que recebe da União, na comparação com as demais regiões do País. A educação é uma delas. É inegável que as políticas educacionais implantadas ainda não foram suficientes para que o Nordeste vença desigualdades históricas. Basta analisar os dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad) 2012, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa mostrou, por exemplo, que nossa região concentra grande parte dos aproximadamente 18 milhões de brasileiros que não sabem ler ou escrever (com mais de 10 anos de idade). Desses, 7,2 milhões vivem nos estados do Nordeste Os números do analfabetismo destoam muito em relação aos de estados do Sul, por exemplo. A taxa de analfabetismo mais alta do País está em Alagoas - 19,66%. A menor taxa, por outro lado, é a de Santa Catarina: 2,93%. Em Alagoas, 52,24% da população com mais de 60 anos é analfabeta. Em Santa Catarina esse índice é de 11,6%. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) revelou ainda que o Brasil tem mais de 3,3 milhões de crianças de 4 a 17 anos fora da escola, número maior do que toda a população de Alagoas. É com a transformação dessa realidade que o ministro da Educação precisa se comprometer. A batalha começa com o PNAIC, mas precisa seguir com a garantia de uma aprendizagem de qualidade desde a alfabetização. Só assim os alunos continuem aprendendo nos anos seguintes. Só assim o Nordeste pode ultrapassar a barreira da desigualdade regional.