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Opinião

Valei-me, 2016!

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A história romana nos conta que no tempo do império existiu a chamada ?Política do Pão e Circo? que era uma estratégia dos Césares para conter a possível reação do povo contra os desmandos e orgias dos governantes. Gigantes arenas eram construídas (os Coliseus) para a realização dos violentos espetáculos de gladiadores, homens preparados para matar ou morrer, e outras modalidades, inclusive envolvendo animais selvagens, acrobacias, bandas, palhaços e corridas de cavalo. Durante o espetáculo servos se encarregavam de agradar às plateias encantadas com os shows sangrentos distribuindo pão e trigo nas arquibancadas. Com essas migalhas, o povo ficava feliz, barriga cheia, alheio às graves crises políticas, às injustiças sofridas. Nesses tempos modernos, dezoito séculos depois da decadência do império romano, o Brasil faz resgatar o modelo de conquistar o silêncio e as manifestações populares com a ?Política do Bolsa e Circo?. Sem escola, hospitais, transporte, respeito e dignidade, milhões de compatriotas se confortam com o Bolsa Família que contempla necessitados da mesma forma que serve ao egoísmo de mulheres de prefeitos, vereadores e outros privilegiados por esse país afora. Não são poucas as denúncias da prevaricação com desvios da mais importante moeda de troca de Lula e Dilma para lhes garantir sustentação do hoje insustentável poder. O circo está instalado no discurso mentiroso que entra nas casas dos brasileiros pelos noticiários. Está presente nas câmaras políticas amorais, diariamente exibindo espetáculos trapalhões. O circo está instalado na troca de acusações entre destacados soberanos da corte, reflexo do conflito de interesse pessoal e desespero que afligem congressistas desconfiados do próprio passado nebuloso. O circo se manifesta pelo o odor desagradável exaurido da lama da corrupção que passa veloz carregando a massa podre. Todos os sinais indicam que poucos serão resgatados sem a mácula da indecência. O ano que termina não ficou marcado apenas pela tragédia ambiental de Minas, a epidemia do Zika Vírus e Chikungunya, o surto dos casos de microcefalia, violência policial contra jovens e a destruição do Museu da Língua Portuguesa. A virada para a chegada do novo ano nas próximas quarenta e oito horas, infelizmente, chega recheada de incertezas e profunda insegurança para vencer as enormes dificuldades que serão inevitáveis. Tomara que 2016 não nos dê motivo para sentirmos saudade de 2015.

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