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Cuida de mim?

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Se você me perguntasse o que estou achando do atual momento da política no Brasil eu lhe devolveria: Afinal, que país é este cujo Congresso se tornou, por vontade própria, em uma espécie sui generis de refém do judiciário? Sempre imaginei o refém como aquele que, contra a sua vontade, se submete ao poder de outra pessoa. Mas o parlamento brasileiro não parece capaz de dar um passo mais importante sem que tenha de consultar ao STF para decidir por ele! Chamam a isso judicialização da política, nome que revela, no fundo, a gradual falência institucional que vários deputados e senadores estão impondo ao legislativo. Temos um processo do impeachment tutelado pelas mentes de 11 julgadores que adoram dar entrevistas e no mais das vezes antecipam seus convencimentos e pasmem, omitem regras claras para beneficiar o poder de plantão como no caso do ministro Barroso, tudo muito diferentes dos juízes da Corte Suprema dos americanos na qual Rui Barbosa se inspirou e que se resguardam cientes de suas responsabilidades. Eu acreditava que a Câmara tinha um regimento válido e eis que agora temos o STF decidindo sobre regras que não são de sua alçada como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. É como se o Congresso determinasse em lei o regimento interno do STF. Acompanhando o escarcéu que se tornou Brasília observei que pelo menos um leitor atento às regras da Casa eles tem por lá: Eduardo Cunha. Pois é! O presidente ameaçado de cassação usa e abusa de seu conhecimento do regimento interno e faz de bobos os seus adversários. Tapas e beijos não são páreo para um profissional do seu quilate, que acusado de ser tudo o que não presta, parece sorrir dos colegas graças ao analfabetismo regimental e político de muitos deles. Qual a saída encontrada por eles então? Deixar para a justiça resolver. E tome medida cautelar, tome decisão assim e assado, tome Supremo cada vez mais. Mas isso é ruim? Não significa que as instituições estão funcionando como tanto se fala, não significa que a democracia está funcionando a pleno vapor? Bem, pode até ser, porém, mais importante e significativo que isso é que um dos pilares de sustentação desta mesma democracia parece estar abrindo mão cada vez mais da sua missão, das suas prerrogativas e isso é muito, mas muito ruim mesmo. Afinal, o parlamento não sabe dizer outra coisa senão... Cuida de mim?

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