Opinião
D�-lhe, Bab�!
RONALD MENDONÇA * Pós graduado em Economia, mesmo sem concluir o 3o grau, Serra comia pela mão dos outros em questões de Saúde. Apesar disso, não foi muito pior do que a maioria que o precedeu. A ameaça da quebra da patente dos medicamentos contra o HIV, por exemplo, resultou em duradouros benefícios. Quanto aos genéricos, bastardos incômodos da indústria farmacêutica, e filão explorado durante a campanha presidencial, vivem hoje sob a suspeita de estar fora de controle. Pelo menos no campo da Saúde não erra quem afirmar que o surrealismo era a regra em FHC. Assim, louvo a coragem do presidente Lula ao reabilitar a figura do médico nesse início de algo tumultuado governo, ao escolher um dos nossos para o ministério da Saúde e, vingando-nos de vez, um outro para comandar a Economia. Finalmente, começa-se a lavar a alma depois de anos de injúrias, humilhações e desdém. É verdade que, se nem tudo são flores, pelo menos o titular da Saúde, conterrâneo nordestino, já admitiu que é vil a remuneração aos prestadores de serviços ? fórmula perversa e pouco dissimulada de perpetuar o mau atendimento, a má prática médica. (E pensar que em épocas bem recentes, proclamava-se que médicos e hospitais ganhavam rios de dinheiro...) Meio-homem-meio-Deus, o médico sempre despertou sentimentos ambíguos tipos amor-ódio, admiração-desprezo, não raro inveja e rancor. Se é certo que a prostituição é a mais antiga das profissões, o segundo lugar cabe à medicina. Quem cuidava das enfermidades decorrentes dos descuidados jogos do amor? Quem partejava seus frutos? Sem dúvida, pela multifacetariedade da ocupação, medicina e médicos, ao longo da história, têm enfrentado concorrentes de diferentes convicções, alguns deles nitidamente desiguais. Feiticeiros, pajés, fadas, espíritos de luz, santos, demônios, curandeiras, paranormais, hipocondríacos, palpiteiros em geral, vizinhas, balconistas de farmácia, avós, tias, mães, babás, todos esses detêm segredos e discernimentos que transformam a experiência médica em titica de galinha. Por sinal, há poucos dias, reportagem de circulação nacional pôs em evidência a profissão de babá e suas estrelas. As top de linha têm salários em dólar e não chegam para quem quer. A coisapegou de tal forma que muitas mulheres estariam revertendo laqueadura de trompa só para contratar babá famosa. A criança seria mero detalhe. Infeliz do pediatra que cair em desgraça com a ungida: perde o cliente e ainda corre o risco de ser denunciado no CRM. Talvez pelo prestígio que o nome confere, o deputado Babá, do Pará, engrossando a banda radical chique do congresso, mandou ver em cima do ministro da Fazenda. Na enxurrada, embora fora de questão, pôs em xeque até sua competência de médico. Te cuida, Palocci. (*) É MÉDICO E PROFESSOR DA UFAL