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Opinião

O mar inquieto da inveja

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O consagrado escritor maranhense Josué Montello, saudoso ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, afirmava que, geralmente, os invejosos são pálidos. Decorrência de um doentio estado de espírito e de caráter que reduze o tempo de vida das pessoas. Para o renomado dramaturgo Nelson Rodrigues, os brasileiros tinham inveja do futebol praticado pelos ingleses. Gostava de lembrar, somente quando o rei Gustavo entregou a taça de campeão mundial de futebol ao time brasileiro, na Suécia, que esse complexo de inferioridade fora resolvido. E, ironicamente, naquele instante, deixamos de ser um país de analfabetos. O genial escritor Leon Tolstoi, cuja obra detém reconhecido valor universal, confessava, de maneira filosófica, que alimentava inveja às pequenas realidades e emoções da vida, contidas nas práticas simplórias de caçar, nadar e pescar. O tema da inveja ganhou também largo espaço no mundo da inspiração poética. O grande poeta português Fernando Pessoa elege, em a ?Divina Inveja?, os precisos termos: ?Sempre que tenho uma sensação agradável, em companhia dos outros, invejo-lhes a parte que tiveram nessa sensação?. Os excessos dos comportamentos invejosos levam as pessoas a cometer injúrias, delito punido pela legislação penal dos países civilizados. O ?animus injuriandi?, a intenção de ?offessa a l? onere della persona?, torna-se suscetível de condenações em nome da harmonia e do respeito que devem reinar na sociedade dos homens. A fervorosa lei de imprensa revela-se mais severa, quando da apreciação desses casos, culminando, em tese, em punições mais acentuadas e concretas. A legendária figura de Rui Barbosa, talento brasileiro insuperável, falava da existência de uma parcela social cuja função política seria a de apenas injuriar. Focalizava um verdadeiro contingente humano alucinado, polêmico e revoltado, antítese da democracia liberal, culta e civilizada. A inveja se projeta no vasto mundo das disputas e da ocupação de espaços. Os que constroem resultados e colhem êxitos geram apenas reconhecimento por parte dos espíritos nobres e a inveja insolente domina a realidade adversa dos menos afortunados. As lições históricas da vida mostram que os invejosos são aliados mal-compreendidos. Seus murmúrios são acenos disfarçados de admiração não confessada, prestados às pessoas vitoriosas.

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