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Em 2016 vai dar samba

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Chegamos a 2016 e com ele o centenário do nascimento do samba, maior expressão cultural nacional: em 1916 surgiu o ?Pelo telefone?, considerado o primeiro samba, de autoria creditada à Donga, embora só tenha sido lançado em 1917,quando se tornou um grande sucesso na interpretação de Sinhô. Foi ainda no Carnaval de 1917 que Sinhô, maior intérprete da primeira fase do samba, lançou também ?São Brás?, onde cutucava o presidente Venceslau Brás ?Sobem a carne e o feijão/Desce o brio da Nação/ E o povo anda casmurro/Pagando imposto pra burro/Não aperte tanto o nó/Pense o mal que nos faz/Do Zé povo tenha dó?. Com 2016 vem também a crise econômica, com queda do PIB, juros altos e em trajetória ascendente, inflação elevada corroendo a renda do trabalhador, recessão causando desemprego cruel e a crise política, cujo dilema maior é a falta de credibilidade do governo para reverter a situação. Acredito que mesmo aqueles que têm estabilidade e renda garantida, e sejam minimamente conscientes, não estejam insensíveis a essa situação dramática pela qual passam os seis mil trabalhadores com carteira assinada que perdem o emprego a cada dia. E não são apenas números gigantescos: por trás de cada um desses milhares de desempregados existe um pai de família, vários deles muito qualificados, que após noites indormidas, ao raiar o sol, olham pra mulher, pros filhos e sentem-se deprimidos: por suas vontades, iriam labutar bravamente pelo pão de cada dia, mas estão impotentes, guerreiros algemados pela crise. O samba em seus cem anos tornou-se o relicário maior das aspirações e frustrações nacionais, e ninguém melhor do que o saudoso Gonzaguinha ? mesmo não estando mais entre nós ? para descrever essa cruel situação atual em seu samba ?Guerreiro Menino?: ?Guerreiros são pessoas/São fortes, são frágeis/Guerreiros são meninos/ No fundo do peito/ Precisam de um remanso/Precisam de um sono/ Que os tornem refeitos?. Gonzaguinha sensibiliza-se e solidariza-se ainda mais com as vítimas dessa crise hedionda no mesmo samba imortal: ?Um homem se humilha/Se castram seus sonhos/Seu sonho é sua vida/ E vida é trabalho/ E sem o seu trabalho/ O homem não tem honra/ E sem a sua honra/ Se morre/ Se mata?. Em 2016, na celebração dos cem anos do glorioso samba, esqueçamos os compositores omissos, alienados, alheios à realidade que os cerca, e suas utopias socialistas fracassadas, e saudemos o Gonzaguinha! Ele permanece vivo nas mentes e nos corações brasileiros! Muita saúde e força em 2016!

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