Opinião
Ano agitado
O ano de 2016 promete ser, no campo político, tão agitado quanto foi o ano recém-encerrado. Após o recesso parlamentar, o Congresso terá de discutir temas polêmicos como o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e a análise das contas do governo federal referentes a 2014, rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União. Há também os processos contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB, e do senador petista Delcídio Amaral, ambos alvos do Conselho de Ética. Isso sem esquecer que, em outubro, haverá eleições municipais. Apesar de o Supremo Tribunal Federal ter feito o jogo do impeachment voltar ao ponto de partida, após uma decisão polêmica considerada por muitos como uma interferência de um poder sobre outro, o tema continua mobilizando governo e oposição, que jogam pesado em defesa de seus interesses. A expectativa é de que o processo esteja concluído na Câmara até março, seguindo depois para ser julgado no Senado, caso a maioria dos deputados aprove o afastamento de Dilma. Também há a expectativa sobre a situação de Eduardo Cunha, o grande nome do cenário político de 2015, para o bem e para o mal. À frente da Câmara dos Deputados, Cunha mostrou que é o presidente quem monta a pauta, decide as regras do jogo, cuida dos cargos e é o responsável pela abertura do processo de impeachment contra o presidente. Denunciado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, vem usando manobras para protelar seu julgamento no Conselho de Ética. Saindo do âmbito federal, este ano as eleições municipais vão pôr à prova as novas regras da reforma eleitoral, que proibiu as doações de empresas a campanhas. A ideia é que, sem financiamentos privados, será uma eleição mais justa e equilibrada para os candidatos com menos recursos. Resta saber se, na prática, isso vai funcionar de fato. Para alguns especialistas, o novo modelo pode favorecer as reeleições e os que têm a máquina pública na mão, pois dará vantagem a quem possui visibilidade. Espera-se que, neste ano, o País consiga superar o mais rápido possível a crise política, que contamina fortemente o ambiente econômico. É preciso que governo e Congresso se voltem para a superação das dificuldades vividas atualmente, pois o Brasil já perdeu um tempo precioso demais.