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Opinião

Fim de um modelo

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Uma análise feita pelo Ipea com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostra que, nos últimos dez anos, houve um envelhecimento da categoria de trabalhadoras domésticas. Em 2004, as domésticas com idade entre 18 e 29 anos representavam 30% da categoria e, em 2014, o percentual caiu para 14%. O número pode indicar que a ocupação perdeu atratividade entre as mulheres mais jovens. Elas têm tido a chance de estudar mais e entram no mercado de trabalho em outras ocupações. O fato é que, com as melhorias nas condições econômicas o trabalho doméstico se tornou pouco atrativo. Mulheres mais jovens buscam outras oportunidades profissionais. A mão de obra foi escasseando, o que possibilitou maior capacidade de negociação das trabalhadoras. Estamos, pois, assistindo ao fim de um modelo. Esse tipo de emprego doméstico que se difundiu no Brasil, com trabalhadores ?agregados? que muitas vezes ocupam o famoso ?quartinho da empregada? ? coisa tão tipicamente brasileira como a jabuticaba ?, há muito não se vê em países desenvolvidos e se explica pela própria cultura escravocrata. Com a nova gama de direitos conquistados, espera-se que os resquícios dessa cultura desapareçam por definitivo. O empregado doméstico sempre foi uma categoria considerada especial porque o produto de seu trabalho não gera a riqueza para seu empregador. Assim, o doméstico representa uma categoria que só conseguiu conquistar os seus direitos aos poucos. Direitos como os de qualquer outro trabalhador, nada mais do que isso. A estrutura de proteção social do emprego doméstico tem melhorado ao longo dos últimos dez anos, no entanto permanece mais precária do que a média dos outros empregos. Durante muito tempo, a classe média brasileiro acostumou-se a dispor de uma emprega doméstica em tempo integral, o que, em outros países, é considerado um luxo, acessível apenas às classes mais abastadas. A ampliação de direitos está forçando um rearranjo nas relações de trabalho, como, por exemplo, uma maior contratação de diaristas, sem vínculo empregatício, e também mudanças culturais, que incluem modificações na divisão das tarefas domésticas, com maior participação de todos os integrantes da família. Um aspecto positivo, sem dúvida.

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