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Opinião

A arte sacra de qualquer religi�o

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O fato do Brasil não ser um país laico faz com que a cultura esteja, intimamente, ligada à diversidade religiosa. Com maioria cristã, dividida entre católicos e protestantes, este último segmento tem se colocado numa posição indiferente as manifestações da cultura popular. Mas é principalmente em relação às culturas de origem africana que esta relação passa a ter um tom mais agressivo, principalmente pela demonização dos Orixás do Candomblé. E mais ainda pelas atitudes de intolerância com seguidores e lideres religiosos, considerados feiticeiros. Este procedente ainda é o mesmo que na Idade Média serviu para perseguir e matar cidadãos romanos, praticantes de antigos cultos, tidos como pagãos, judeus e mais tarde a mulçumanos. Ainda assim o mundo hodierno assiste desolado às destruições de templos, imagens, acervos de museus, em países islâmicos, por conta do fundamentalismo de suas doutrinas. O Brasil viu em rede nacional um Pastor de religião de raiz protestante quebrar durante um culto a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Maceió tem uma História emblemática que passou a ser conhecida como ?Quebra de Xangô?, ocorrida em 1912, com raízes políticas e religiosas que deixou marcas culturais profundas. A cultura é a essência de um povo. É dela que se forma a personalidade de um território. Por que então não democratizar a cultura respeitando-se a diversidade religiosa? É o caso de nos referirmos aos ?Museus de Arte Sacra? como aqueles de acervo da religião Cristã do segmento católico. Arte sacra é uma denominação abrangente a qualquer religião e não apenas a peças do catolicismo. Dessa forma museus com acervo de peças religiosas de origem africana deveriam ser chamados também ?Arte Sacra do Candomblé? ou ?Umbanda?. E aos acervos das Igrejas Católicas se chamaria: ?Arte Sacra Católica?. Não poderia nem ser ?Arte Sacra Cristã?, porque o cristianismo se dividiu e os evangélicos não cultuam imagens. Esta classificação já é compartilhada por diversos autores europeus que se referem aos templos gregos, romanos, etruscos, egípcios ou mesopotâmicos, como ?Arquitetura Sacra?, não fazendo distinção entre templos cristãos ou pagãos. Num mundo civilizado não há espaço para sectarismo religioso quando se fala de cultura. Mesmo quando essa cultura possui relação com a fé de um povo, como é o caso das rezadeiras, cuja função na sociedade onde vive é a de uma identidade simultânea entre a cultura e a religião. Como cultura está condenada ao isolamento e morte pela força da religião. E religião e fé são coisas totalmente distintas. A fé não diminui com a cultura. Ao contrário a força do humanismo existente na cultura promove a solidariedade, a aproximação entre o ser humano e o amor entre os povos. E amor é um preceito de fé deixado por Cristo Jesus.

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