Opinião
Queimadas: natureza ou fiscaliza��o falha?
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informa que o Brasil teve, em 2015, um aumento de 27,5% no número de queimadas. Satélites registraram 235 mil pontos de calor. Em 2014 foram 184 mil. A queimada é uma prática primitiva da agricultura, em que se usa o fogo para limpar área de cultivo ou formar pastos. Usado a princípio de forma controlada, o fogo pode destruir florestas, matas e terrenos grandes. Há causas para as queimadas consideradas naturais, como estiagem, temperatura, ausência de chuva. Independentemente da causa, se natural ou resultado da ação do homem, as queimadas provocam mudanças climáticas, aumento do aquecimento global, prejuízos à biodiversidade e à dinâmica dos ecossistemas. Nociva, essa prática prejudica a própria agricultura, provocando danos à recuperação de áreas ou vegetação, bem como à fauna em desenvolvimento. A vida humana também é duramente atingida pelas queimadas. Os elementos tóxicos presentes nas fumaças, como o carbono e enxofre, provocam doenças diversas: infecções do sistema respiratório, alergia na pele, irritação dos olhos e garganta, desordens cardiovasculares, asma, conjuntivite, bronquite, tosse, falta de ar e até transtornos psicológicos. O município alagoano de São Miguel dos Campos, é um exemplo de como a poluição ambiental é danosa. A cidade vem sofrendo com incêndios nos estoques de palha de cana, matéria-prima da empresa Bioflex-Granbio. A fumaça tem provocado problemas de saúde, especialmente nas crianças. A GranBio, uma empresa brasileira de biotecnologia industrial, marca sua presença em Alagoas pela contradição. Ao mesmo tempo que é capaz de transformar a palha de cana que era deixada no campo, ou queimada, em biocombustíveis e bioquímicos, permite a destruição de extensas áreas de vegetação nativa. Ao divulgar o levantamento sobre o aumento das queimadas, o pesquisador Alberto Setzer, do Inpe, afirmou que, além de fatores naturais, é a falta de fiscalização que explica o aumento da destruição ambiental no Brasil. Depois do terceiro incêndio, em menos de 60 dias, o Instituto do Meio Ambiente (IMA/AL) determinou que a GranBio suspenda a estocagem de palha. A empresa só pode voltar a estocar quando construir uma nova central de distribuição. Desta vez devidamente licenciada.