Opinião
Cego � o possesso que n�o quer ver
Não é preciso ser expert em política ou nos complexos caminhos que norteiam a ciência da economia para entender que o Brasil está em crise e talvez a pior dos últimos 25 anos. Mas antes de avançar, gostaria de lembrar o artigo XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos: ?Toda pessoa tem o direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras?. Liberdade de expressão não é mentir escancaradamente com o intuito exclusivo de ofuscar, enganar essa bandalheira que está aí. Tenho lido esta postura em artigos e debates grosseiros, agressivos nas redes sociais pelos radicais militantes do partido governista e algumas outras facções parelhas. Apregoam não existir crise e culpam a mídia a quem chamam de golpistas; responsabilizam os ?coxinhas? que torcem pela derrocada do ?melhor? de todos os governos. Chutam para baixo do tapete os escândalos da máfia que tomou de assalto o país nos últimos anos. Inflação galopante, sem controle, batendo a casa dos 10,79%; 191 mil empresas que fecharam suas portas até agosto passado, (em.com.br); 31 lojas Casas Bahia e Ponto Frio encerraram suas atividades; 26% menos automóveis e 49% menos utilitários vendidos e 1.000 concessionárias fechadas; 5 mil desempregados por dia. Até setembro, a indústria caiu 12,4% em relação a 2014, (IBGE). Consumidores penalizados com o descontrole de preços de produtos e serviços essenciais e o aumento de tributos para cobrir os rombos do governo. Enquanto isso, o mercado da construção civil acumula uma enorme quantidade de unidades habitacionais sem que haja demanda para comercialização. Como consequência, as estatísticas estimam para 2016 a possibilidade de atingir o índice de 10% de desemprego no setor. Como não há crise moral, política e econômica grave, se o país assiste diariamente a Polícia Federal fazendo busca nas casas e gabinetes de figurões da república, empresários e poderosos servidores públicos antes intocáveis, agora investigados, presos respondendo por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa? Como não há crise se um ex-presidente da República e familiares estão na mira da justiça e da polícia? Só não existe crise na cegueira dos possessos radicais militantes que, felizmente, já é uma minoria.