Opinião
At� breve
Eu procuro as palavras e elas chegam aos montes, todas embaralhadas, cheias de saudade e lembranças. É difícil entender as voltas da vida. É tão penoso aceitar o destino, os desígnios, as dores e os caminhos para a evolução espiritual. Há quase três meses uma nova realidade se apoderou de mim. De repente passei a vivenciar experiências difíceis, penosas, dolorosas... Mas também por momentos de generosidade, carinho, doação. Mundos novos, rotinas extenuantes. Vi lágrimas de mães que perderam filhos, de filhos que também perderam mães... Conheci o lado terno de profissionais dedicados e o lado exato dos que cumprem a rotina como obrigação. Tive tempo para retribuir amor, fazer despertar um sentimento novo dentro de mim; o que não mede sacrifícios, que se doa incondicionalmente, se agiganta para enfrentar situações inusitadas. Tive tempo para passar a vida a limpo. Desfazer nós, perdoar e pedir perdão. Tive tempo para compreender o valor da família ? e eu nada seria sem ela. De sentir toda a energia dos amigos. Dos antigos e dos que fiz nessa jornada. Amigos que foram além das mensagens de zap. De tantas orações! O tempo parou num sopro. Mas eu tive tempo! De falar de amor, de carinho, de bondade... de relembrar tanta coisa boa... Da infância onde fui tratada como princesa, uma espécie de troféu nos tempos de escola. E quando me tornei profissional, era o orgulho! Quando fui mãe passei a dividir tudo o que mais precioso tinha... Era amor redobrado. E para mim assim se passaram 53 anos. Uma adoção não escrita, que veio da alma e transformou as nossas vidas. Deus concedeu essa maternidade espiritual porque sabia que ela ia dar conta. Tudo foi feito, foi realizado. A missão de minha Clara, por aqui , acabou. Depois do despertar irá começar tudo outra vez, apenas sem a presença física, porque os laços do amor não se rompem. São eternos como você, minha mãe, sempre será.