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Opinião

A arte em desconstru��o

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Não há como negar que o processo de renovação do conceito de arte expressando a beleza estética, dentro cânone acadêmico deixou de existir ha muito tempo. É bom que o tema seja tratado, inicialmente, dessa forma para que não haja dúvida alguma a respeito do processo de desconstrução, que aliás não é nada novo. Como aliás tudo o que diz respeito a arte dita contemporânea, moderna, pós-moderna ou qualquer outro conceito. Nada é novo, novíssimo ou atual. São conceitos velhos sendo adaptados e ungidos por uma nova geração, que acredita no processo desconstrutivo da arte como da civilização, igual a um fenômeno apocalíptico esperado e vaticinado. O homem voltará as cavernas para recomeçar seu processo criador. As performances têm sido um instrumento de grande poder para levar esta visão estereotipada da arte como se fosse algo novo. O choque se dá, justamente, porque encontra um público cioso por novidade. Fenômeno parecido com o tempo de filmes como Teorema, de Pier Paulo Pasolini. Havia muita gente que não tinha coragem de dizer que não havia entendido nada, por que a maioria estava deslumbrada, mesmo sem entender nada. ?Os Macaquinhos?, esta performance recente que causou tanta polêmica é um destes fenômenos do bestiário da desconstrução da arte. Não porque apresenta em cena atores explorando o ânus, uns dos outros, mas porque refuta a tese do efeito e não do resultado. O efeito era, exatamente o choque coletivo, a admiração, a polêmica, a discussão na Imprensa, nas redes sociais, enquanto o resultado, do ponto de vista artístico era chulo e abjeto. A busca de respostas para as indagações filosóficas entre o dedo que explora e o ânus explorado, não é o mesmo de Hamlet com a caveira e nunca seria. Está bem mais para uma busca simiesca na essência grotesca da insanidade humana. O que eu sou? De onde venho e para onde vou? A performance não responde a esta pergunta básica. ?Macaquinhos? é o desdenhar da inteligência humana para os que acreditam numa possível expressão inusitada das artes visuais ou mesmo na sua morte. Andamos, lamentavelmente, no terceiro milênio vivendo uma ressaca de um grande porre tomado na Roma Antiga quando o teatro era o circo de bestialidades com platéia cativa. Não é à toa que Santo Agostinho em Cidade de Deus, sua obra máxima, dedica seis longos capítulos para se explicar sobre a força da libido. Libido que a própria memória pagã o torturava na sua solidão.

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