Opinião
A microcefalia e o descaso com a dengue
Até o último dia 9, o Brasil contabilizou 3.530 casos suspeitos de microcefalia relacionada ao vírus zika. O estado de Pernambuco, o primeiro a identificar aumento da malformação, continua com o maior número de casos suspeitos (1.236), ou 35% do total registrado em todo o País. Em seguida, estão os estados da Paraíba (569), Bahia (450), Ceará (192), Rio Grande do Norte (181), Sergipe (155), Alagoas (149), Mato Grosso (129) e Rio de Janeiro (122). Os dados foram divulgados ontem num informe epidemiológico do Ministério da Saúde, que investiga o problema desde outubro do ano passado. A realidade é que o País está enfrentando um surto de recém-nascidos com microcefalia relacionada ao zika vírus. Consequência da proliferação do mosquito Aedes aegypti, o vírus se espalha rapidamente pelo País e pode provocar uma das piores catástrofes já registrada na saúde pública, em todos os tempos. Uma malformação incurável, que atinge fetos em formação causando redução do volume cerebral, a microcefalia traz consequências graves e permanentes para o desenvolvimento do indivíduo. Depois de silenciar por vários meses, durante os quais não deu a devida importância aos primeiros casos, o governo federal finalmente se manifestou sobre o problema. O MS montou uma operação de emergência. Nessa operação de guerra, o Brasil conta com a ajuda da Organização Mundial da Saúde e do Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. A razão dessa ajuda não é outra senão o temor de uma eventual contaminação no continente americano. A providência mais recente para enfrentamento da epidemia, é a criação de Centros Colaboradores, unindo esforços para capacitar profissionais que cuidarão de pacientes afetados pelo vírus Zika. A medida possibilitará, por exemplo, que unidades de saúde, instituições de ensino ou universidades compartilhem conhecimentos e procedimentos para a qualificação de médicos, enfermeiros, fonoaudiólogos, agentes de comunitário de saúde, agentes de combate às endemias, fisioterapeutas, entre outros profissionais que atuem no cuidado a crianças com microcefalia. Mas nunca é demais lembrar que o surto é consequência do descaso imposto ao programa de combate ao mosquito Aedes aegypti ? o popular mosquito da dengue.