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Opinião

Louco mundo novo

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Muitas surpresas, a maioria negativa, para o início do terceiro milênio. Decepção mesmo é para quem imaginava essa época como um tempo de paz. A velha guerra mantém-se firme e forte em sua posição de um dos quatro cavaleiros do apocalipse, a espalhar o Armagedom em módicas parcelas. No centro dos acontecimentos, os Estados Unidos. Convertido em única superpotência global, o gigante norte-americano tem sobre os ombros uma imensa responsabilidade e desafios que a vã filosofia ainda não consegue responder. De seu porte, converteu-se em único estilingue e única vidraça. Na última metade do século XX, prevaleceram as regras de um mundo dividido em dois pólos. Americanos e soviéticos ditavam normas e disputavam a hegemonia global. A partir de 1998, o pólo soviético esboroou-se, legando aos Estados Unidos a primazia de pólo único. Entre as ironias trágicas daí decorrentes, a grande nação americana viu-se no centro das atenções e ódios de antigos aliados, como Saddan Hussein e Osama Bin Laden. O ditador do Iraque havia sido extremamente fortalecido para combater o Irã dos aiatolás e o líder da Al Qaeda foi especialmente treinado e equipado pela CIA para usar o terror contra os russos que haviam intervido no Afeganistão. Depois do esperado discurso do secretário de Estado Colin Powell nas Nações Unidas, o resultado pode ser considerado outra das ironias do novo milênio. O pronunciamento do general Powell não convenceu ninguém (ao contrário de outro discurso americano famoso, no mesmo cenário, em 1962, quando se comprovou a existência de mísseis soviéticos em Cuba). Mas, com ou sem discurso, os Estados Unidos regatearam o apoio de dez nações européias e asiáticas. Quais? Exatamente uma dezena de países que antes freqüentavam a esfera de influência soviética e se intitulavam de estados proletários, socialistas: Estônia, Letônia, Lituânia, Bulgária, Romênia, Eslovênia, Eslováquia, Croácia, Macedônia e Albânia são os novos aliados de George W. Bush em sua cruzada contra o Iraque. Entre tantas ironias trágicas, bem que poderia surgir pelo menos uma ironia feliz ? depois de tanto anúncios e bravatas de guerra e terror, a paz ser preservada no mundo. Quem sabe?

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