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Engenheirandos de 1964

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O baile de formatura estava animado. O ginásio da Fênix lotado de familiares, nas mesas a alegria era geral, esposas, pais, mães, irmãos, noivas e namoradas não cessavam de erguer brindes. Aquela primeira semana de dezembro de 1964 já estava com cara de fim de ano. Uma etapa grande havia sido cumprida, duraram cinco longos anos, enfim concluída. Para os formandos um alívio. O ano terminaria bem, com o diploma nas mãos a vida seria mais fácil, embora aquele ano não tivesse começado tão bem assim. Entre as músicas, os vivas, e as danças a cabeça de vários estavam às lembranças que por pouco não se formariam. Isso porque em abril, a política dera uma quinada. Muitos se esconderam alunos e professores, foram para fazendas, outras cidades, casa de parentes. Engajadas ou não na política partidária tinham receios de perseguições aos adversários, desparecimento e tudo mais. Historicamente as faculdades desde remotas datas eram laboratórios de política. Nelas surgiam nos ainda estudantes aqueles que mais tarde seriam lideranças atuantes nas instituições nacionais. Muitos deputados, senadores, ministros, desembargadores ou governadores tiveram suas vocações políticas desenvolvidas no período estudantil universitário. Era lá no diretório estudantil, no DCE e na UNE, que iniciavam na prática política; o saber ouvir; convencer pela palavra; se expressar; falar em público e em especial as manhas de eleição. Na Ufal não era diferente. Nas suas paredes estavam os ecos das campanhas de outrora efetuadas pela política estudantil. E assim quatro dos formandos foram indiciados como subversivos. Um deles foi preso ainda no dia 29 de março. Dois se refugiaram em uma fazenda em Branquinha de um conhecido deputado. O quarto ao regressar de Belo Horizonte de um encontro com o Betinho - irmão do cartunista Henfil ? e fundador da Ação Popular ? AP passou um mês escondido numa dependência da casa do avô, onde nem as criadas da casa souberam da sua existência. Após um período de calmaria política no final de maio, os engenheirandos voltaram a aparecer, e foram encarcerados por quatro meses. Os inquéritos abertos tiveram a prisão relaxada até o julgamento. E voltam ás aulas em outubro, e agora como seria para recuperar o ano letivo. O Conselho da Faculdade de Engenharia dera uma chance, abonaria as faltas, entretanto eles teriam de se submeter a um exame dito Completo ? escrito e oral de cada matéria. Caso fossem aprovados estariam a um passo da formatura. Aí entrou a figura altruísta do professor Vinícius Maia Nobre que na garagem de sua residência, todo final de tarde passou a lecionar a eles, as matérias do quinto ano e efetuar exercícios práticos. Com o acúmulo de conhecimentos e prática de anos de engenharia o professor instruiu àqueles alunos, foi para eles régua e compasso. Os pupilos foram aprovados nos exames finais graças ao empenho do mestre, que rompeu com paradigmas de comportamento da época. Os quatro estavam na Fênix junto com os colegas de anel no dedo e com novos desafios na carreira de engenharia. A vida tem dessas coisas...

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