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Evas�o zero, esperan�a 10

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Entramos em 2016 com uma notícia que trouxe a todos nós, da equipe do governo, muita alegria e esperança. A Escola Estadual Marco Antônio, de ensino médio, no Benedito Bentes, não teve evasão de nenhum aluno. Ela é a primeira escola em tempo integral na rede de ensino do Estado. A evasão zero aponta que o modelo funciona bem, dá certo. O aluno gosta de sua nova escola e quer permanecer nela. A esperança, que vai virando certeza, é de que agora podemos avançar com segurança no rumo planejado e multiplicar as escolas em tempo integral em todo o Estado. Já estamos começando. Pretendemos implantar, inicialmente, pelo menos uma dessas unidades em cada uma das 14 Regiões de Ensino do Estado. E depois ampliar a rede até onde for necessário e possível. Meu governo reafirma a premissa lançada no primeiro dia, de que a saída para Alagoas se desenvolver é a educação de seu povo. A escola pública de qualidade é a meta que haveremos de conquistar. E não há crise que nos faça esmorecer ou desviar deste caminho. Temos no Brasil ? e mais agudamente num estado como Alagoas ? o desafio adicional de superar a herança histórica mais perversa: fomos o último país do mundo a acabar com a escravidão. Ela durou mais de 350 anos. Um país que vive nesse regime, e por tanto tempo, carrega um estigma impregnado em si. Essa herança é a raiz da desigualdade e do descaso, do preconceito e do atraso. E a ferramenta para superá-la é aquilo que de mais precioso a civilização e a democracia criaram: a educação ao alcance dos despossuídos ? a escola pública. A escola que queremos atrai e estimula. Ela deve ser local de diálogo, onde se aprende a conviver trocando ideias, vivenciando a própria cultura e respeitando as diferenças. É a escola onde o educador ensina e aprende ao mesmo tempo, e o aluno também. Onde se aprende até com o erro, porque ele pode ser útil. É assim: quando você erra, adquire aprendizado. Quando corrige o erro, adquire conhecimento. E quando ajuda alguém a corrigir erros, adquire sabedoria. Clarisse Lispector resumiu o que tento exprimir: ?se foi um erro, amanhã será aprendizado?. O educador, para ensinar bem, deve gostar que sua escola inspire mais vida, mais amor, mais saber, mais ousadia e até travessura. Na escola que sonhamos e queremos, o educador sabe que sua missão, antes de ensinar disciplinas, é despertar a curiosidade na criança e no jovem. Porque é ela, a curiosidade, que move a pessoa, que a inquieta e acende a faísca da inteligência, a busca e a vontade de aprender e ensinar. A escola que pretendemos provê educação e estimula o conhecimento, dentro e fora dela. Educação você recebe na sala de aula; conhecimento você adquire é com a vida, indo a lugares e conversando com as pessoas, lendo um romance ou um livro de poesia, vendo um filme, ouvindo uma música, assistindo a um espetáculo de teatro, de dança ou de circo, ouvindo uma cantoria de viola na feira, rindo, amando, sofrendo, torcendo, se surpreendendo, vivendo! A escola que queremos vai trazer, para dentro dela, a vida lá fora. Por isso irá melhorando e um dia, se Deus quiser, será admirada pela excelência, como nosso povo precisa e merece. Paulo Freire, grande mestre que Pernambuco deu ao Brasil e ao mundo, ensinou: todos nós sabemos alguma coisa; todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso, aprendemos sempre. E Darcy Ribeiro, criador dos Cieps, embrião da escola em tempo integral, rebateu: quem ensina aprende ao ensinar; quem aprende ensina ao aprender. A grande beleza do aprendizado, dizemos todos nós, é que ninguém pode roubá-lo de você. É através dele que Alagoas vai se libertar e crescer.

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