Opinião
Paris ser� sempre Paris
Uma velha e consagrada canção francesa proclama que Paris, a capital da França, será sempre a mais bela cidade do mundo, malgrado qualquer obscuridade profunda sua claridade jamais poderá se tornar sombria. As recentes ações terroristas sofridas provaram agora não ser possível abater o ânimo permanente dos parisienses. A indomável capital francesa continua a manter seu clima de alegria, de cultura e de prazer, ingredientes da marca de um extraordinário processo de civilização. Contra a fúria sanguinária do fanatismo um brinde de champanhe, traduzindo a ausência de medo e de recuos diante das ameaças tenebrosas encaradas como delírios insensatos. A frequência dos famosos cafés, de forma livre pelas mesas externas, revela o permanente grito de liberdade dos parisienses ?como um monumento indestrutível? e altivamente festivo. Uma brava e solene reação contra estranhas loucuras que não podem aniquilar o espírito alegre de um povo, constituído, historicamente, de resistências, apelos de desejos e gratas esperanças. Todas as grandes e mágicas palavras já foram ditas, ao longo do tempo, sobre o eloquente deslumbramento da metrópole francesa. Stefan Zweig assim a retratou ?Paris é luxo, é elegância, é o entusiasmo, a alegria, o antiprovinciano, e, mulheres, muitas mulheres?. Para outros destacados escritores ?uma cidade-livro feita de milhares de livros?, uma imensa biblioteca proporcionando ao mundo a faculdade de sonhar. As forças terroristas atuam com selvageria e qualificam como cidades do pecado, as metrópoles ocidentais pelo ângulo de sua sofisticação e avanços culturais. Segundo as autoridades francesas, o fanatismo criminoso busca atingir essencialmente à juventude, com a diversidade de seus encantos e a liberdade de seus eternos gestos. A mocidade, verdadeira promotora da alegria, dos brindes sentimentais e dos enlevos musicais. Os grupos musicais fazem agora ecoar a legenda de seus hinos: ? Vive la musique, vive la liberté, vive la France!? Os mais velhos recorrem aos conceitos filosóficos, a exemplo das lições contidas no Tratado sobre a Tolerância de Voltaire, um dos símbolos de seu patrimônio de extraordinários escritores. As grandes cidades escrevem a história do mundo. Paris, declama a eleição da dor transformada em poesia e uma alegria comprometida com a beleza, como um eterno lema de viver.