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Pelo respeito ao ato coletivo de sepultar

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A 'novela' do ossário público que a Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU) constrói no Cemitério São José, no bairro do Trapiche, em Maceió, ganhou novo capítulo. Ontem, conforme publicação no Diário Oficial do Município, o prazo de conclusão da obra foi prorrogado por mais 60 dias. Essa obra começou a ser desenhada em janeiro do ano passado, quando a Prefeitura assumiu no Ministério Público Estadual o compromisso de construir o ossário para resolver o problema da superlotação no Cemitério de São José. A falta de covas, provocou a interdição daquele cemitério. O compromisso, aliás, foi de assegurar a recuperação de todos os cemitérios públicos de Maceió, que há mais de 20 anos não passam por reformas estruturais. O quadro de abandono chegou ao absurdo de cachorros serem flagrados roendo ossos de mortos enterrados em covas rasas. Diante da mórbida realidade, em novembro do ano passado o promotor de Justiça Flávio Gomes da Costa, exigiu solução para o problema. A prefeitura então assinou o Termo de Ajustamento de Conduta, iniciando em janeiro de 2015, as obras que, agora, vão se prolongar por mais dois meses. A justificativa é que serão construídos mais 328 câmaras, além das 2 mil prometidas ao MP. Ao longo da vida, a família festeja nascimento, batismo, aniversário, e tantos outros eventos. Quando a vida chega ao fim, se junta em mais um ato coletivo: o sepultamento. Por todo o sofrimento envolvido, além do consolo aos enlutados, esse é um momento que exige absoluta dignidade. Uma dignidade que já há décadas tem sido negada ao maceioense. É fato que a gestão atual já encontrou os cemitérios em situação de colapso. Sequer licenciamento ambiental têm esses logradouros, falha que, ressalte-se, deve ser atribuída aos órgãos ambientais tanto do município quanto do Estado. Mas é o descaso com os mortos, o que explica o quadro dantesco flagrado no Cemitério de São José. É inquestionavelmente desrespeitoso ver cachorros arrastando ossos humanos, num cemitério público. A negligência é do gestor público, seja do atual, seja dos que o antecederam. Ao atual, porém, é dado o mérito de ver reconhecida a ação de, mesmo por força da pressão do Ministério Público, promover as obras necessárias a recuperação desses espaços. Mas não precisa demorar tanto!

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