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Opinião

Caos urbano

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Manifestantes voltaram às ruas, em todo o País, para protestar contra o aumento nas passagens de ônibus. Desta feita, os protestos não foram tão extremados, mas, mesmo assim, houve confrontos, o que prova que essa é uma situação que está longe do consenso. Formadores de opinião que condenaram as manifestações provavelmente nunca entraram num ônibus, não conhecem a qualidade do serviço, Dentro do aconchego dos seus automóveis culpam os governantes pelo caos urbano, pelas ruas tomadas por ?gente que não tem o que fazer?, e buzinam indignados. Essa dualidade (carros/ônibus) vai marcar os debates políticos este ano. Em algumas cidades não há mais espaço para tantos veículos e os governantes se veem premidos a desapropriar casas e rasgar novas avenidas, privilegiando os que têm poder e carros. Os ônibus ficam relegados, postos de lado, ou até mesmo esquecidos. Cabe, então, levantarmos algumas questões sobre esse debate que, talvez, muita gente não tenha atentado. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizado no ano passado com 2002 pessoas de 142 municípios brasileiros, 25% da população usam ônibus para ir ao trabalho ou a escola, 22% vão a pé e apenas 19% usam carro. Há alguns dias, o jornal Folha de S. Paulo publicou matéria comprovando que os carros usam 17 vezes mais espaço para levar o mesmo número de pessoas que os ônibus. É um dado atordoante, principalmente quando constatamos em meio a um congestionamento que o sujeito que buzina impaciente ao lado está só dentro do seu automóvel. Porém, vamos ser justos. Não podemos fazer do motorista um vilão. O carro significa uma conquista, fruto, muitas vezes, de anos de trabalho e economia. Temos, por conseguinte, um dilema. Qual a solução? Esta é a grande pergunta. Indagados, alguns motoristas dizem que até tomariam um ônibus caso o serviço fosse melhor. E estão certos. O transporte coletivo na maioria das cidades brasileiras é da pior qualidade: ônibus velhos, sem conforto, perigosos até. Urge melhorá-los, urge fiscalizá-los, urge punir os empresários que visam apenas o lucro. Os governantes são lenientes, ignoram o que acontece. Autorizam os aumentos sem verificar se os índices correspondem aos serviços. Daí, os protestos, manifestantes nas ruas, engarrafamentos e motoristas buzinando frenéticos. Chegou o momento de nos unirmos em torno do problema. A responsabilidade não pode ser exclusiva dos prefeitos ? não podemos esperar que tudo se resolva a partir de uma atitude isolada. Um grande debate vem por aí e não podemos descer no meio do caminho. Temos que chegar no ponto final.

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