Opinião
Um duelo de gigantes
Dois expressivos representantes da literatura universal, respectivamente, Machado de Assis, da brasileira, e Eça de Queirós, da portuguesa, se rivalizaram na discussão de sua obra. Machado, publicou em 1878, dois artigos, com severas críticas, sobre dois livros famosos de Eça de Queirós ? ? O Crime do Padre Amaro? e ? O Primo Basílio?. O primeiro livro, seria uma imitação de ?La faute de l?Abée Mourel? do consagrado Emile Zola; o segundo, seria uma cópia grosseira de ?Eugene Grandet?, do renomado Honoré de Balzac. Além de ter usado o acaso para sustentar o entrecho dramático do livro ?O Primo Basílio?. Eça de Queirós não deu importância às aludidas críticas e silenciou por dois anos sobre o desagradável episódio. Somente ao lançar a segunda edição do ? Crime do Padre Amaro?, respondeu através de uma ?nota?, as críticas sofridas; com a requintada ironia de sempre e um certo azedume intelectual. Essa resposta sumária representaria alguns fragmentos do texto integral, somente publicado, depois de seu falecimento. Referido texto aborda a temática do Idealismo e Realismo, refuta as acusações e desenvolve uma argumentação rica em conhecimentos e bela em estilo. Afasta a ideia de plágios cometidos e paira acima das controvérsias. Não se preocupa com a figura pessoal do acusador prefere erguer argumentos lúcidos e esclarecedores. Cita vários ícones da literatura universal que ilustram seu discurso e fortalecem a história das letras. Destacados críticos afirmam que, esse clima de guerra continuou entre os dois grandes escritores. O ciúme levou-os à inveja, à impaciência e à amargura de sentimentos. Quando, os dois chegaram à inevitável velhice, os atritos foram atenuados, influenciados, inclusive, por caros amigos. Na cidade de Lisboa, no Largo Barão de Quintela, foi erguida uma famosa escultura de pedra em homenagem a Eça de Queirós. Alguns anos depois, acrescentaram ao monumento, uma sedutora figura feminina, como símbolo da verdade. A legenda escrita, lembra a imortal frase de Eça: ? sobre a nudez da Verdade o manto diáfano da Fantasia?. O nosso grande Manuel Bandeira, em artigo publicado, após a morte de Eça de Queirós, lembrou o reconhecimento tardio de Machado sobre o saudoso rival, dizendo ? começou pela estranheza e acabou em admiração. A pena que criticou Eça foi a mesma que dele se despediu com admiração e encanto.?