loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

N�o gosto, mas sorrio

Ouvir
Compartilhar

Não gosto de escrever sobre política. Juro!, com o dedo indicador de cada mão levados cruzados à boca, beijando-os duas vezes: numa, estalando a beijoca no indicador de uma delas; noutra, o outro. Não é ironia. Estou rindo, agora. Vou me recobrar, para continuar. Devo dizer que comecei, entretanto, a expor minhas modestas (sem demagogia, juro novamente) ideias sobre o malfadado tema, aliás, de maneira nada aprofundada com vistas a atingir o maior público possível ? pretensão infelizmente certamente inalcançada pelo viés de esquerda que as contém, pouco aceito pela classe média, pelo preconceito de que são impregnadas, arrisco supor ?, depois que me vi preso a uma cama após cirurgia a que me submeti nos idos de 2006. De início o fiz parcimoniosamente, vez ou outra. Adotava, então, minhas preferências, que naturalmente recaíam sobre outros temas. Depois, passei a fazê-lo mais amiúde sobre política. Há algum tempo o faço semanalmente, ou quase, aqui nesta Gazeta de Alagoas, simultaneamente à publicação no meu blog, na internete, que leva meu prenome e matronímico, e em outros sítios na rede. Sem que até então jamais imaginasse, essa atividade militante, ao lado de tornar-me figura conhecida do diminuto, mas seleto e querido público leitor respectivo, concorde ele ou não com as ideias que defendo, angariou-me resultados nada perseguidos. Ao mesmo tempo em que me vi surpreendido com manifestações de apoio ao que produzia, em grau maior (talvez) criei desafetos e percebi amizades(?) estremecidas ou, até, pasmem, rompidas. Sim. Apenas porque me atrevi a expressar minha opinião sobre o tema, preponderantemente em defesa do projeto político em que se traduzem os governos Lula e Dilma, vi-me, de um dia para o outro, sujeito aos mais diversos ataques, diretos (em redes sociais) ou indiretos. Sobre estes últimos, jamais me esquecerei (farto-me de intimamente sorrir com eles, até hoje) dos olhares de reprovação ou estupefação a mim dirigidos (volto a sorrir), mais ou menos velados, vindos inclusive de pessoas conhecidas, quando acompanhava minha idosa mãe à seção eleitoral, na Ponta Verde, em que aquela consignaria firmemente seu voto na presidenta afinal reeleita. Eu estava vestido (e investido), com indisfarçável orgulho, de uma camisa com o desenho do rosto da presidenta, ainda jovem, estampado no peito, num colégio eleitoral prenhe de eleitores do asséptico Aécio. Nada me resta, pois, que não voltar a sorrir. Já voltei. E terminar o texto sorrindo.

Relacionadas