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Os bastidores da Finl�ndia e os atalhos do Brasil

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Acabo de participar em Londres da Exposição BETT, ?British Educational Training and Technology Show?, considerada, desde 1985, uma das mais importantes feiras na área de tecnologias na educação, atraindo algo em torno de 40 mil visitantes de mais de uma centena de países. O programa da delegação brasileira incluiu visita ao Institute of Education (IoE), classificado pelo ?Times Higher Education Ranking? como a melhor instituição do mundo na área de educação. O professor David Scott, do IoE, uma das maiores autoridades em teorias de aprendizagem e meu co-autor no livro ?Educando para Inovação e Aprendizagem Independente?, argumentou à delegação brasileira que seria pouco recomendável ao Brasil definir suas estratégias educacionais na educação básica tendo como referência principal melhorar seus indicadores no PISA. A explicação dele para não exagerarmos na ênfase ao PISA tem a ver com o caso Finlândia e seus bastidores. A Finlândia é referência em educação pelo seu passado e pelo que está fazendo para o futuro. Entrou no século 21 liderando os resultados do PISA (Programa Internacional para a Avaliação de Estudantes da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). A grande percepção dos gestores da educação finlandesa foi suspeitar que o sucesso no PISA poderia, eventualmente, inibir mudanças no processo de aprendizagem, as quais eles sabiam ser urgentes e necessárias. Ou seja, a régua do PISA, provavelmente, mede melhor qualidades e expectativas do passado do que as exigências do futuro. Os formuladores de políticas educacionais da Finlândia parecem saber melhor do que os demais que a forma tradicional de educação, estruturada em aulas expositivas sobre disciplinas estanques, não mais prepara crianças para o futuro. Ainda que elas possam ir bem no PISA, os desafios não parecem estar plenamente contemplados. A necessidade do desenvolvimento da capacidade de pensamento transdisciplinar, ou seja, olhar os mesmos problemas a partir de perspectivas diferentes, compõe as estruturas centrais da nova metodologia. São mudanças que afetam a todos, em particular os professores, os quais passam a ter, relativamente, menos controle sobre os cursos, demandando que necessariamente trabalhem de forma colaborativa, especialmente com seus alunos. Gradativamente, os mestres deixam de ter como atribuição principal as aulas expositivas (embora elas permaneçam em algum nível existindo) e, cada vez mais, se assemelham à figura de preceptores. Seja ajudando o educando a entender a si mesmo e refletir sobre sua aprendizagem, seja promovendo a mentoria e conectando disciplinas e conhecimentos fragmentados.

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