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Opinião

Uma festa pronta para usufruir ou acabar

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O dr. João Simões é o radiologista alagoano mais antigo na lida, aos mais de oitenta anos, diariamente elabora criteriosamente seus laudos no hospital onde trabalha; mas especialmente um dia ao ano, sai da rotina e abre sua mansão na Ponta Verde para uma legião de amigos e parentes e oferece um café reforçado. Dr. João e a prendada dona Eliana, recebem os convidados ao som de marchinhas e frevos, enquanto eles vão se deliciando com os acepipes da mansão: frutas, tapiocas, cuscuz com ovo, galinha e carneiro guisados, carne de sol com inhame, macaxeira e batata doce, sarapatel, mungunzá, bolos diversos ? um pantagruélico rega-bofe. Esse festivo café da manhã se repete, concomitantemente, em milhares de outras residências, hotéis e pousadas, é o sábado das prévias carnavalescas, os dias mais efervescente de Maceió: em que desfilam na nossa orla o Pinto da Madrugada, a Rolinha e as Pecinhas, três blocos carnavalescos que fazem a festa dos alagoanos, e a cada ano de mais e mais turistas. Ressalte-se, a festa começa muito antes: grupos encomendam fantasias às costureiras que estariam ociosas se não fora o evento;orquestras outrora esquecidas, ensaiam nos quatro cantos do Estado;restaurantes e bares da orla se ornamentam, reforçam seus depósitos para abastecer àquela demanda elevada e cobram tarifas extras pelo uso de suas mesas, que lotam; centenas de ambulantes e taxistas, faturam naquele dia, o que não faturam em nenhum outro.Lojas e todo o mercado se aquecem. Durante o desfile dos blocos,a comunidade alagoana, amistosamente promove a confraternização de todas as classes sociais e se esbalda:canta, dança e consome.Uma festa pronta,redonda, criada espontaneamente pela iniciativa privada,e que está disponível para ser usufruída ainda muito mais. E a festa não acaba com o último toque de clarim: nas residências, bares, restaurantes e hotéis, ela prossegue noite à dentro. Evidentemente, existem problemas que precisam ser superados para que ela não acabe, como os carros ambulantes de bebidas dos burguesinhos, a cada ano maiores e mais pesados:esse ano das 8 orquestras contratadas e pagas,4 delas,a metade, foi bloqueada por esses carros ingratos e abandonaram o desfile. Se as autoridades públicas apoiarem adequadamente e se unirem à iniciativa privada de forma planejada e objetiva, poderemos consolidar Maceió como a Capital Nacional das Prévias Carnavalescas, realizando uma festa para fazer inveja aos maiores centros brasileiros. Com resultados positivos para todos.

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