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Há muito tempo o coração não é apenas um órgão. O coração também é uma das formas simbólicas de se referir a respeito da parte sentimental da alma. E faz sentido, já que toda vez que algo nos mobiliza emocionalmente, o lugar mais afetado dentro de nós é o coração. Sua imagem vai além de algo sentimentalóide ou de um romantismo superficial. E seu poder também não pode ser encarado dessa forma. Uma pessoa pode perder a cabeça ao se apaixonar, e caso resolva escrever algo a punho para a pessoa amada, não será raro encontrar um pequeno coração no meio da folha. A natureza do coração é doar-se. Ele é um músculo oco; o sangue não pode parar dentro dele. É ele que movimenta a vida, dá seu ritmo. Se o corpo tem um coração, nada mais justo que a alma também tenha. Assim como é o coração que dá vida ao corpo, é ele que dá vida à alma. O sangue do coração da alma são os sentimentos e as emoções. A dificuldade em lidar com o coração é exatamente essa. Sua essência é puramente passional e ela não liga de que forma estruturamos nossa vida. Quando somos tomados por uma paixão, ela despertará todo e qualquer tipo de sentimento. Isso causa confusão, desespero, alegria, dor, êxtase, tristeza, raiva. É o momento que podemos sentir o coração da alma batendo e seu sangue tomando todos nossos pensamentos, sonhos, imaginações e desejos. Neste arrebatamento o nosso Eu (que podemos chamar de uma forma mais técnica de Ego) não sabe mais o que fazer. São tantas coisas acontecendo concomitantemente que esse estado de confusão parece eterno. Como o mundo gira cada vez mais rápido, não permitimos que fiquemos por muito tempo tão confusos, e ao invés de tentar dar uma organização para esse estado, ou simplesmente deixa-lo nos tomar um pouco, tentamos logo achar onde está o problema e dar uma solução imediata, como se fosse possível fazer a alma funcionar da forma que desejamos. E não é isso que também fazemos com nossos corpos quando não gostamos de algo em nós e tentamos consertar? Quando ficamos doentes por stress ou por angústia, não é ao médico que vamos, não para nos entender, mas para nos calar? Seguir o coração não é simplesmente fazer o que der vontade na hora que ela chega. James Hillman disse que o amor demora a criar raízes. Ouvir a voz do coração é poder tirar do tempo seu status cronológico e dar a ele outra noção, uma que acenda a sensação de que algo está sendo feito por um objetivo maior que nós, que aquilo jamais será perda de tempo, que quando nosso coração está em nosso fazer, nada jamais será em vão. Talvez o tempo realmente não seja uma medida.

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