Opinião
Centen�rio do professor Nabuco Lopes
Jamais esta data poderia ser esquecida pela imprensa alagoana; muito menos pela Universidade Federal de Alagoas: em meu testemunho, seu maior e melhor reitor. Minha turma de médicos, inclusive, seria a última a contar com sua assinatura nos diplomas, em dezembro de 1974. É-me espontâneo, portanto, rememorar o professor Nabuco Lopes Tavares da Costa Santos, pois já em 1931 meu pai haveria de ser seu contemporâneo no Ginásio de Maceió, à rua do Sol. ?Nabuco já pensava grande?, relembrava sempre. Oriundo de classe média, de fato sempre fora aluno dos primeiros de classe. Organizado, feições achinesadas, bigode bem aparado, estatura mediana, físico atlético, desportista, formar-se-ia em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco em 1938 e, posteriormente, seria aprovado por concurso para a Escola de Saúde do Exército Brasileiro, chegando, por pedido de reforma, à patente de general de brigada. Destacou-se em Alagoas como médico do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado. Curioso é que, de uma feita, após condenar um quantitativo de carne contaminada ? o mesmo Nabuco também premiado nacionalmente por seus estudos de alimentação regional ?, conflitou com seu comandante e esteve recluso na ilha de Fernando de Noronha. No raiar dos anos 1950, funda-se a primeira faculdade de medicina de Alagoas e o mestre é convidado para as cadeiras de farmácia e fisiologia. Na Ufal galgaria todos os postos qual o cumprimento de um dever cívico ? do magistério no quadro negro à gestão dos projetos HU e Hope ? e não lhe foi de todo fácil ascender ao reitorado, pois entre seus concorrentes esteve o deputado federal, educador, orador e historiador Luís Medeiros Netto (1914-92). Recifense de nascimento, alagoano de coração, desposara dona Moema Rocha Cavalcanti, com quem não teria descendentes; porém, legou ? pois que digno de apreço, respeito, admiração ? incontáveis filhos espirituais: nós, seus queridos discentes. Sou dos que recordam que, embora militar, incontornavelmente obrigando o novel docente a, em seu gabinete, declamar sem erros o hino nacional, convivia em seu ser a abertura para o diálogo, a sensibilidade à compreensão, humanitário que foi. Tanto mais que, de modo enternecido a meus olhos gratos, quando de minha conclusão do chamado Estágio Rural em Viçosa, onde até hoje atuo, o próprio tomou a iniciativa: ?Marcos, soube que seu pai Adelmo anda meio adoentado; quero lhe fazer uma visita?. Fomos então à minha casa no carro oficial, um Ford Galaxie, patrimônio da universidade. E lá chegando seria ele lapidar ante a surpresa do velho colega em meninos: ?Adelmo, estou aqui visitando-o, pois os verdadeiros amigos são os de infância, quando ainda não existe a inveja?.