Opinião
Engenharia alagoana V
VINÍCIUS MAIA NOBRE* Falar sobre o engenheiro civil Carlos Luiz Piatti é reviver um pouco a saga da imigração italiana no nosso País. Nascido na capital paulista em 13 de agosto de 1917, é o primogênito do casal Celso Luiz Piatti, engenheiro têxtil originário de Varese, norte da Itália, e de Conceição dos Santos Piatti, Dona Sinhá. O patriarca da família veio para o Brasil aos 21 anos, a pedido do Conde Crespi, grande empresário em São Paulo. Dinâmico e muito capaz, tornou-se mais tarde um industrial de sucesso naquele estado. Carlos Luiz, mais conhecido no nosso meio por Piatti, ao se graduar em engenharia civil pela Escola Nacional de Engenharia ? RJ, em 1940, chegou em Maceió a mando de seu pai, a fim de construir e instalar uma fábrica de produtos derivados do coco. Logo cedo, Piatti se amoldou aos nossos costumes e adquiriu amizades que ainda hoje perduram e, mais importante, tomou-se alagoano por adoção. Casou-se com a filha do saudoso e conhecido comerciante Durval Normande, Eunice de Vicq Normande e, com ela, teve oito filhos. Desenvolvendo e fomentando o cultivo do coco e aqui aplicando tudo o que auferia em seu trabalho honesto e incessante, Piatti implantou vários outros empreendimentos ? a exemplo de uma tipografia, serraria e, finalmente, uma indústria de vidros, aqui, em Maceió. Muito válida, portanto, foi sua contribuição para o crescimento industrial de Alagoas. Piatti também participou de diversos trabalhos em sua área de atuação profissional. São de sua lavra vários projetos tanto na área industrial, como na urbanística, residencial e de edifícios. Determinação é um traço característico de sua personalidade. Prova disso, foi o seu trabalho como simples operário numa fábrica de vidros em São Paulo (Cristaleria Trincado), para melhor transferir conhecimentos adquiridos aos seus futuros funcionários. É detentor de inúmeros certificados de patentes e termos de privilégio de invenções ? tanto para a indústria de beneficiamento do coco, como também no processamento e obtenção de fertilizantes. Em 1957, participou da equipe técnica que elaborou os estudos de viabilidade, localização e os projetos da construção da Sivisa ? Siderúrgica Vitória S. A., indústria de grande porte, que resultou na enorme Usina da Ponta do Tubarão, em Vitória, Espírito Santo. Exerceu com brilhantismo o magistério na Universidade Federal de Alagoas, tendo sido admitido como professor auxiliar de ensino da disciplina ?Higiene Geral ? Higiene Industrial e dos Edifícios ? Saneamento e Urbanismo?, em 1967, e como professor titular em 1970, lotado na Faculdade de Engenharia. Na Ufal foi Chefe de Departamento, ministrou ainda ?Estudos de Problemas Brasileiros? e implantou, no antigo prédio da faculdade, na Praça Sinimbú, o gabinete/sala de Higiene, bem equipado e o mais requisitado de então. No curso de Arquitetura, criado em 1975, ministrou até a sua aposentadoria compulsória a disciplina ?Higiene da Habitação?. Eram muito comentadas suas aulas, pelo didatismo, ilustrações e dedicação. Foi também professor palestrante no NPOR do 59º BIMTz durante os anos de 1975 a 1977. Associado a colegas professores da Universidade Federal de Pernambuco, fundou e foi sócio durante sete anos da empresa Fertilizantes Tropicais do Brasil (Fertobrás), pioneira e com fábrica piloto dedicada à produção de fertilizantes de solubilidade controlada, pesquisados e criados pela referida equipe. Piatti é o autor do projeto do Hospital do Câncer da Santa Casa de Misericórdia de Maceió e, durante dez anos, trabalhou como engenheiro credenciado pela Caixa Econômica Federal ? período em que procedeu a inúmeras vistorias, avaliações, pareceres técnicos, além de ter construído, por delegação da Caixa, o Mercado Municipal de Satuba. Fundou, com outros colegas, o Sindicato dos Engenheiros de Alagoas e pela sua atuação em defesa dos interesses da classe de engenharia, foi agraciado por aquela entidade. Religioso e um fervoroso adepto do catolicismo, ajudou e continua a fazê-lo ? em favor de nossa Arquidiocese ? projetos, construções e aconselhamentos. Colhendo os frutos de seu trabalho, cercado de Eunice, filhos e dezoito netos em seu sítio no Jardim do Horto, seu maior lazer é contemplar a evolução de tudo aquilo que plantou. e-mail: [email protected] (*) É ENGENHEIRO