Opinião
O coro do l�der
?Para os pobres não é nada. CPMF é ruim para quem ganha muito dinheiro.? Essa declaração do deputado José Guimarães, líder do governo na Câmara dos Deputados, seria de uma total ignorância se não fosse intencionalmente direcionada aos que, de fato, desconhecem o mecanismo de tal cobrança. Quando os preços explodirem, mais ainda do que estão subindo, esse senhor não vai aparecer para dizer que é fruto da CPMF, repassada ao custo final dos produtos industrializados e também quando comercializados. O que vale ao governo é passar para a classe mais pobre uma ideia distorcida para alcançar seus intentos. Para os pobres é sim, e muito, ruim, essa cobrança que irá resultar no aumento de tudo aquilo que ele consumir, atingindo até sua cesta-básica. Mas a sanha arrecadadora do governo petista não fica por aí. Enquanto seu lobo não vem, ficam utilizando essa pretensão como boi de piranha para aumentar alíquotas do IPI, acarretando uma inflação nos preços de uma infinidade de produtos, mesmo não sendo de primeira necessidade, que vai afetar a indústria e o comércio com a baixa no consumo e consequentemente nas vendas. Nessa esteira vem, obrigatoriamente, a diminuição da produção industrial, dispensa de mão de obra e queda na arrecadação tributária. É muito preocupante o que estamos assistindo diariamente neste País. E os exemplos estão em toda parte. Não precisa ser um observador mais atento para ver, aqui mesmo em nossa cidade, nosso bairro, o que a inércia desse governo vem provocando. Na Gruta de Lourdes, frequento os estabelecimentos comerciais no entorno de onde moro. De uma semana para cá, assisti ao fechamento de vários desses pequenos negócios, para nossa tristeza; são sapatarias, lojas de roupas e artigos esportivos. Mesmo que sejam filiais, duvido muito que os seus servidores sejam transferidos para suas matrizes, gerando as inevitáveis dispensas. Pessoas que ao perderem seus empregos sentem a dignidade abalada. Deixarão de frequentar os pequenos restaurantes e lanchonetes, estrategicamente instalados na região para atendê-las, provocando queda em seu movimento. Vão-se quebrando elos que sustentam essa corrente dos negócios, atingindo o inimaginável. E a senhora presidente vai ao Congresso Nacional para falar as abobrinhas de sempre e, com a maior desfaçatez, justificar aumento de tributação, sem diminuição de despesas. E o seu líder fazendo coro.