Opinião
Combater o Aedes � melhor que o aborto
O avanço do Zika vírus e suas consequências traz à cena um debate sobre o aborto, no Brasil, que criminaliza a ação, e em vários países onde há surto da doença. A discussão aumentou desde a semana passada, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) pediu que países onde o aborto é crime revejam essa posição, nos casos de mulheres cujos fetos estejam se desenvolvendo com malformação congênita, a agora popularizada microcefalia. A porta-voz do comissariado de Direitos Humanos da organização, Cecile Pouilly, disse que, diante da epidemia, os governos não podem pedir as mulheres que não engravidem, nem negar a elas a interrupção da gravidez se assim desejarem. Findo o Carnaval, a semana começa com lideranças religiosas de igrejas cristãs discutindo a posição da ONU. Ontem, quando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) fez o lançamento da Campanha da Fraternidade 2016, que este ano cobra saneamento básico, vários bispos se manifestaram sobre a questão. Pelo que disseram ao serem questionados por jornalistas (oglobo.globo.com), os religiosos estão divididos. Membros da Igreja Católica se declaram contrários à interrupção da gravidez. Membros da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil disseram que ainda não tem posição formada e setores da Igreja Batista acham que a mulher deve ter direito ao aborto nesses casos. Em nota, o Ministério da Saúde informa que o governo garante o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ?nas três situações em que o procedimento de interrupção de gestação é considerado legal no Brasil (quando não há outro meio de salvar a vida da mulher, quando a gravidez resulta de estupro, e nos casos de diagnóstico de anencefalia fetal)?. O Brasil já registra 3.670 casos suspeitos de microcefalia. Desse total, 404 casos confirmados, sendo que 17 com relação ao vírus Zika. Diante do medo que a população manifesta, com mulheres grávidas isolando-se dentro de casa, encharcadas de repelente, com janelas e portas fechadas, e outras atônitas com diagnóstico confirmado, o debate sobre o aborto tende a se ampliar. Entretanto, o eixo principal continua sendo combater o avanço do Aedes aegypt. Manter a casa, a rua, o bairro, a cidade, o Estado e o País livre de focos do mosquito é a solução bem mais eficiente para combater essa epidemia.