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O direito de parir e a luz no fim do t�nel

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O caos no Posto de Atendimento Médico (PAM) do Salgadinho, em Maceió, é inegável. Os médicos e os demais profissionais que ali trabalham estão certos em cobrar a completa recuperação física do posto, além dos insumos e medicamentos para o desempenho de suas atividades. Sob pressão, por não cumprir sua obrigação ao longo de mais de duas décadas, o município fechou o PAM Salgadinho. Agora é a vez de gestantes serem recusadas em maternidades de Maceió. Alegando estarem superlotados, hospitais e clínicas credenciados para atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) fecharam suas portas a mulheres praticamente em trabalho de parto. O gestor municipal afirma que não há justificativa para tal situação, pois, conforme protocolo do Ministério da Saúde, o Complexo Regulador Assistencial (Cora) elaborou o plantão das unidades credenciadas. A Secretaria Municipal de Saúde revela ter 262 leitos contratados e garante pagar pelo serviço prestado à população. A causa do descaso com as gestantes que esbarraram em portas fechadas ? aponta a SMS - está na ausência de vários médicos, que faltaram ao trabalho no plantão de carnaval. Uma revelação grave, que exige investigação de quem tem, como o Ministério Público estadual, a tarefa de zelar pela interesse público. Quantos hospitais, postos e unidades têm a rede pública de Saúde, seja municipal ou estadual, não é um dado primordial. Para os alagoanos, essencial é saber quantos deles funcionam plenamente. Os médicos têm razão em muitas coisas. Fazer um exame quando o posto não tem luva para o profissional, nem uma bata para vestir o paciente, é abusivo! Mas não é ético fazer manifestação porque o gestor decidiu implantar ponto eletrônico para controle de presença. É imoral faltar ao trabalho no posto de saúde, quando não se ausenta do próprio consultório, nem do hospital particular. Lamentavelmente, a situação no PAM Salgadinho, e nas maternidades públicas, pode ser vista como retrato da saúde em Maceió e em todo Estado. Há, sim, descaso, incompetência e falta de gestão dos governos. Diante dessa realidade, a decisão das mulheres de denunciar numa delegacia de polícia terem sido repelidas quando buscavam o direito constitucional de parir, pode ser a luz no fim do túnel.

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