Opinião
H�, sim, risco de uma onda de lixo nas ruas
A situação de crise nas prefeituras por todo o País tem afetado diretamente os serviços de limpeza urbana. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) mais de 400 municípios, juntos, devem cerca de R$ 200 milhões a essas empresas. O que prova, portanto, que há, sim, sérios riscos de suspensão da coleta de lixo e limpeza urbana de modo geral. A crise nessas empresas ? que não estão recebendo em dia ? ocorre num momento em que a questão do saneamento é discutida como uma das prioridades na luta contra o mosquito Aedes aegypti. O direito da população a saneamento básico é também o tema da Campanha da Fraternidade 2016, lançada esta semana. Com ela, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil quer incentivar os governos e instituições públicas a investirem em políticas para melhorar e garantir saneamento básico a todos os brasileiros. Se houver suspensão dos serviços, o impacto será rapidamente sentido. Ou será que, sem as empresas, os gestores públicos têm como enfrentar a demanda contínua, impedindo que o lixo se acumule nas ruas? Em Maceió, a suspensão dos contratos e o atraso por mais de três meses no pagamento devido pela Prefeitura, levou as duas empresas que fazem a coleta de lixo na capital a ameaçarem suspender o serviço. Se isso ocorrer, somente os garis e margaridas da Superintendência Municipal de Limpeza Urbana (Slum) serão suficientes para garantir a varrições das ruas e a coleta porta a porta? A realidade é uma só. Sem dinheiro nenhuma empresa se mantém, e as de limpeza urbana não são diferentes. Mesmo com a negativa das duas empresas que atuam na capital alagoana, que em nota admitiram o débito mas descartaram a suspensão do serviço, a situação em Maceió, assemelha-se a dos demais municípios brasileiros. A falta de pagamento pode resultar na suspensão da coleta. Se isso ocorrer, além da insatisfação dos munícipes, os gestores podem estar colaborando com a sobrevivência do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue, febre chikungunya e zika. O que não bom, num momento em que até a presidente da República vai às ruas destruir focos do mosquito. Em seguida, serão acossados por garis e margaridas. A onda de lixo será sequenciada, naturalmente, por uma de desemprego.