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Hist�ria e cidadania

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O Brasil republicano emergiu daqui, Alagoas, não por acaso chamada a ?terra dos marechais?, onde nasceram Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. O primeiro formalizou o ato que pôs fim à monarquia, o segundo consolidou a República brasileira com destemor e admiração. Render homenagens a esses alagoanos é não apenas preservar a história, mas garantir que o legado de ambos inspire gerações. Foi com esse propósito que no dia 15 de novembro de 2005, quando governador do Estado, inaugurei o Memorial à República, ao lado do presidente José Alencar, do presidente do Senado, Renan Calheiros, e de várias outras personalidades nacionais. Lá se vão dez anos, e o Memorial permanece ali, na Praia da Avenida da Paz, recebendo visitantes e inspirando gerações. É nosso dever cuidar para que sua estrutura seja preservada, respeitada e reverenciada. Não se trata de proselitismo cívico, mas, sim, de honrar nossos valores e tradições. No final do ano passado, Maceió foi brindada com as estátuas do escritor Graciliano Ramos e do filólogo Aurélio Buarque de Holanda, dois alagoanos ilustres, personalidades de destaque da cultura brasileira. As obras estão nas praias da Pajuçara e Ponta Verde, onde ambos moraram ? Graciliano nasceu em Quebrangulo e mestre Aurélio em Passo de Camaragibe. Muita gente as procura para fotos ? foram feitas em bronze, em tamanho natural. A ideia de que possam ser vandalizadas causa indignação. Portanto, a imagem de alguém sobre os ombros de Graciliano, como mostrou a Gazeta de Alagoas há alguns dias, pegou a todos de surpresa. Mas não se trata de algo inédito. Em dezembro de 2011, a estátua de Floriano Peixoto, no Memorial à República, foi danificada ? teve um dos braços arrancado. O escultor J. Maciel, autor da obra e responsável pela restauração, proferiu, na época, uma frase que calou na alma de todos nós: ?Infelizmente é a história de Alagoas que essas pessoas querem destruir?. Maciel lamentava pela escultura, mas lamentava mais ainda pelo dano à memória, à nossa cultura. Destruir a história é destruir o passado e não criar nenhuma perspectiva de futuro. As pessoas que agem assim vivem um presente contínuo, sem nenhum compromisso com o ontem e ignorando o amanhã. Vivem só para si, sem pensar que a noção de sociedade e cidadania vai além das mensagens em redes sociais. Felizmente há pessoas que pensam o contrário. Sobre elas recai a nossa esperança de que atos vis não se repitam.

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