Opinião
Amizade como dom
Recentemente aconteceu uma polêmica que mostra um pouco da realidade dos valores que temos. Afirmaram que o Papa João Paulo II, já canonizado pela Igreja, teve um caso amoroso com uma mulher casada, a partir de correspondências trocadas ao longo de vários anos. Por conta disso, discussões correram se realmente ele poderia ser considerado santo. Ao ver as matérias, particularmente, pensei em rir da situação. Depois, analisando o contexto, vi o quanto é triste um jornalismo que se porta a isso e a falta de senso em uma sociedade com valores tão frágeis. A amizade do santo com a referida mulher já era conhecida publicamente. Aliás, a família toda estava envolvida numa sadia convivência. A dificuldade realmente consiste em acreditar que um homem e uma mulher podem ter uma relação de amizade, sem envolvimento sexual. Seria absurdo conceber isso? De fato, em um mundo tão erotizado, isso pode até ser considerado raro, mas é um dom possível para aqueles que vivem tal experiência. Eu particularmente tenho diversas amigas que fazem parte da minha história de vida. Conheceram meu início de caminhada na Igreja e viram diversas fases de meu desenvolvimento como ser humano. Quando nos vemos, é sempre um verdadeiro encontro de existências. Além das recordações boas, há uma relação de irmandade que nos fazer chegar ao profundo do coração do outro com imensa rapidez, a ponto de brotar longas partilhas que enobrecem a alma. É uma alteridade que acredito ser divina! Nas Sagradas Escrituras, podemos ver no livro do Eclesiástico, no capítulo 6, o seguinte: ?amigo fiel é poderoso refúgio, quem o encontrou, descobriu um tesouro?. É uma passagem que mostra a realidade da sabedoria popular do povo escolhido por Deus. Grandes riquezas são oferecidas numa amizade sincera e o outro se torna a maior delas. A Bíblia é rica em testemunhos de amizades construídas em Deus. Gostaria de poder nominá-las em outro momento. Mas, agora, venho apenas ressaltar que as chances de encontrá-las são enormes, para os que têm uma base espiritual como essência. A experiência religiosa purifica as nossas relações inter-pessoais e por conta disso nos permite uma completude gigantesca. São relações de pertença fortes, porque antes houve uma pertença maior a Deus. A amizade com Ele me faz ir ao outro e os laços estabelecidos se tornam eternos. Sempre.