Opinião
Com a Justi�a e contra a viol�ncia
O regime fascista de Benito Mussolini na Itália se moldou em um preceito surrupiado do socialismo: a necessidade de possuir um mito ?porque os seres humanos precisavam dar um sentido concreto a uma ideia abstrata; não seria importante mover a montanha, mas criar a impressão de que se poderia fazê-lo?. Contudo, o fascismo, ao contrário do socialismo,não se amparava em ideologias, mas em corporações profissionais, as quais, aliadas ao empresariado agrícola, industrial e, principalmente, à Associação dos Bancos, promoveu a ascensão e manutenção do Partido Fascista no poder. A Justiça foi aparelhada, subjugada e os poucos resistentes, afastados. Uma das principais características do Partido Fascista, que intimidou e afastou os adversários políticos, foi a violência de sua militância: os Camisas Negras. Sua origem truculenta, advinda das milícias do ?fascios de combattimento?, fez com que a Itália fascista de Mussolini desprezasse qualquer razão e bom-senso ao ponto de levá-la ao desastre da guerra acumpliciada à Alemanha nazista de Hitler. A trajetória do Partido dos Trabalhadores nos seus 13 anos de poder, em que pesem as camisas vermelhas em lugar das negras, em muito se assemelha àquela do Partido Fascista na Itália: as alianças espúrias com o empresariado e o poder econômico, o aparelhamento das estatais e o desprezo pelas regras da democracia,com o primado do jogo bruto pelo manutenção do poder, seja no cenário político como na sua militância nas ruas, tomou conotações de violência incompatíveis com o Estado de Direito. E a ideia do mito, elo maior entre o fascismo e o comunismo, foi levado às últimas consequências no governo petista com a entronização do ex-presidente Lula nessa função. Como se viu essa semana, os camisas vermelhas, tal qual os camisas negras fascistas, estão predispostos à violência e propensos ao enfrentamento com a Polícia, o Ministério Público, a Justiça e quem mais ameace a preservação do mito, por maiores que sejam as evidências de que deve satisfações à Justiça e a Nação. Como nos tempos do fascismo e do socialismo europeus, a realidade não importava, a figura do mito deveria ser preservada acima de qualquer evidência. No Brasil atual, vítima de gigantesca e cruel crise, tudo o que não precisamos é de mais violência. Para tal, ninguém poderá estar acima das leis e da Justiça: é a sobrevivência da democracia que está em jogo, e para mantê-la, o Ministério Público e a Justiça não poderão ser subjugados nem intimidados.