Opinião
Ambiente sombrio
Dados divulgados esta semana pelo IBGE mostram que, entre novembro de 2014 e novembro de 2015, o Brasil perdeu 533 mil postos de trabalho. Nesse período, a população desocupada cresceu em 2,68 milhões de pessoas, chegando a 9,13 milhões. Além da perda de postos de trabalho, houve um crescimento no número de pessoas que antes não trabalhavam e passaram a procurar emprego. A força de trabalho brasileira (soma de pessoas ocupadas e desocupadas) cresceu de 99,2 milhões para 101,3 milhões em um ano. Foi, sem dúvida, um resultado desastroso, na medida em que a expectativa era que a taxa fosse bem menor, visto que a taxa de desocupação já devia estar cedendo com a aproximação do fim do ano, quando costuma haver contratações. Para exemplo de comparação, em igual período de 2014, a taxa de desemprego havia ficado em 6,5%. Assusta pensar que, há pouco tempo, vivíamos uma realidade bem diferente. Entre 2004 e 2014, a dinâmica da geração de emprego, de queda do desemprego, crescimento dos salários, aumento do assalariamento e da formalização, entre outros fenômenos, mudou a realidade do mundo do trabalho no Brasil. Mais empregos e melhores salários, aumento dos benefícios previdenciários, das transferências de renda assistencial e da oferta de crédito ampliaram a capacidade de consumo e de investimento das famílias. As empresas produziram mais, cresceram, tiveram lucro, geraram mais empregos e um círculo virtuoso foi criado. Entretanto, a situação mudou drasticamente. Barbeiragens da equipe econômica, dificuldades do governo na relação com o Congresso e as investigações de um bilionário esquema de corrupção na contratação de obras públicas deterioram as condições econômicas e trouxeram de volta ao cotidiano do trabalhador a recessão e o desemprego. Por enquanto, as perspectivas continuam sombrias. A economia continua girando com o pé no freio, e o governo parece patinhar. O pessimismo atinge todos os setores. É preciso buscar urgentemente a retomada do crescimento econômico, trazendo como componente estruturante a sustentação no médio e longo prazos. Caso contrário, pouco sobrará dos avanços obtidos nos últimos anos, sobretudo entre as classes menos favorecidas.