Opinião
A guerra e as armas
Nos últimos meses, um velho conhecido dos brasileiros voltou a atacar e desta vez com muito mais munição. Causador de recorrentes epidemias de dengue desde os anos 1980, o mosquito Aedes aegypti incorporou a seu arsenal os vírus da febre chikungunya e da zika. Esta última pode estar associada ao aumento dos casos de microcefalia no País. O governo federal colocou o Exército nas ruas para ajudar no combate de urgência ao mosquito. Entretanto, medidas emergenciais e campanhas de conscientização parecem não bastar para resolver este problema antigo. Há décadas o Brasil fracassa na tentativa de controlar o mosquito. Até que haja uma vacina para as doenças transmitidas pelo Aedes, a única maneira de se proteger é decretar guerra ao inseto e reduzir sua população. Tarefa não apenas do poder público, mas igualmente do cidadão comum, pois grande parte dos focos do mosquito é encontrada nas residências. Sem dúvida, o País está diante do maior desafio da saúde pública das últimas décadas. Há armas disponíveis na batalha contra o Aedes aegypti, mas investir em mais pesquisa para ganhar a luta é essencial. Bioinseticidas, mosquitos geneticamente modificados e bactérias que infectam insetos são algumas das armas disponíveis no mercado para combater o Aedes aegypti. Para contar com essa artilharia, entretanto, é preciso que o Brasil invista em pesquisa e estimule parcerias entre universidades, instituições de pesquisa e empresas. Também é fundamental a continuidade dos métodos tradicionais de combate ao inseto e mais ainda: a promoção permanente de ações e campanhas contra o mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. O relaxamento de medidas de contenção do mosquito nos últimos anos com certeza contribuiu para a multiplicação de casos de dengue. A falta de saneamento básico que ainda atinge muitas regiões também é outro problema. O Brasil dispõe de ferramentas que podem ser utilizadas nessa guerra. É preciso, porém, integrá-las de forma inteligente para se obter o resultado esperado. Além disso, o País precisa de uma política constante não só hoje, mas de médio e longo prazo de combate ao mosquito, caso contrário o pequeno inseto poderá até nos dar uma trégua, mas certamente voltará com toda a força em outros verões.