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Opinião

Escritores agredidos

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A Prefeitura de Maceió, em dia 30 de novembro de 2015, teve a excelente ideia de presentear os alagoanos com a escultura de dois dos seus mais relevantes filhos: Graciliano Ramos de Oliveira, nascido em Quebrangulo, e Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, nascido em Passo de Camaragibe. As estátuas foram colocadas nas áreas urbanizadas das Praias de Pajuçara e de Ponta Verde. Quando os escritores eram vivos residiram nesses bairros e costumavam passear ali. O acontecimento fez parte das comemorações dos 200 anos de Maceió. A família dos homenageados compareceu ao evento e ficou sensibilizada com a justa lembrança, mesmo tardia. As estátuas estão sendo muito prestigiadas pelos alagoanos e turistas de todo o mundo que se fotografam junto aos escritores, colocam na rede social e guardam a imagem como lembrança para a posteridade. Recentemente uma senhora teve a infeliz ideia de tirar uma foto sobre os ombros da estátua de Graciliano ? felizmente é de bronze -, e postá-la nas redes sociais. O fato repercutiu negativamente com essa agressão ao célebre escritor e aos alagoanos. Considero uma lição bem merecida à autora do vandalismo. Posteriormente ela justificou-se dizendo ?não faria isso de novo, nem recomenda que ninguém faça nada parecido?. Mais constrangedor e indelicada foi a atitude de uma mulher que teve o desprazer de se fotografar nua ao lado de Graciliano Ramos e de Aurélio Holanda. Pura ignorância e falta de pudor. As duas senhoras não terão como guardar essas fotos como boas lembranças para seus filhos e netos. Agressão desmedida. Faltou escola, estudos e cultura às agressoras. Para que outros fatos lamentáveis não aconteçam, sugiro que o Poder Público, coloque câmeras em locais estratégicos com a finalidade de punir os responsáveis pelo dano ao patrimônio público. Como alagoano, viçosense e parente do notável Graciliano Ramos, senti-me na obrigação de externar esse desabafo. Graciliano Ramos é primo em segundo grau de meu avô paterno. Seus bisavôs, Manuel Inácio de Oliveira Passos e Ana Joaquina Cândida, residiam em Quebrangulo em 1850 ? meus 4º avós. O romancista viveu sua infância em Viçosa no período inicial de sua juventude e sempre visitava os Engenhos Bananal e Cavalo Escuro, que pertenciam aos seus tios. Graciliano refere-se a esses passeios em seu livro de memórias, ?Infância?. Na crônicas intitulada ?Adelaide?, que é sua prima (irmã de meu avô, Manuel Leite dos Passos), o escritor faz comentários quando estudavam juntos na escola da Prof.ª Maria do O, onde o pai de Adelaide, Cel. João Leite dos Passos (meu bisavô), abastecia o colégio, semanalmente, com gêneros alimentícios do engenho. João Leite era também sogro do tio de Graciliano, Pedro Ramos de Oliveira. O pai de Graciliano, Sebastião Ramos de Oliveira, foi comerciante e prefeito (intendente) de Viçosa (período de 1909 a 1910). Graciliano despertou para a literatura, segundo ele, quando residia em Viçosa, graças à biblioteca do Cel. Jerônimo Barreto e da amizade com o jornalista, escritor e farmacêutico Dr. Mota Lima.

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