app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 5730
Opinião

Passo atr�s

Relatório divulgado ontem pela Anistia Internacional sobre o estado dos direitos humanos em todo o mundo revela um panorama sombrio. Calamidade, sofrimento, violência, abuso, injustiça e discriminação são algumas das palavras mais recorrentes nas 238 pági

Por | Edição do dia 24/02/2016 - Matéria atualizada em 24/02/2016 às 00h00

Relatório divulgado ontem pela Anistia Internacional sobre o estado dos direitos humanos em todo o mundo revela um panorama sombrio. Calamidade, sofrimento, violência, abuso, injustiça e discriminação são algumas das palavras mais recorrentes nas 238 páginas do documento. De acordo com o estudo, as políticas e mecanismos de garantia de direitos humanos regrediram em todo o planeta no ano passado. Dos conflitos armados à fome, da repressão governamental à impunidade de agentes públicos, a lista de barbáries é longa e continua crescendo, segundo a entidade. Somando-se a mazelas já conhecidas no planeta e antigos conflitos armados internos e entre Estados, a crise de refugiados em 2015, sobretudo de sírios, evidenciou a incapacidade do sistema internacional em lidar com deslocamentos em massa e crises humanitárias. Os poucos avanços e sinais de esperança em 2015, de acordo com o relatório, foram méritos da sociedade civil e dos movimentos sociais. Entre as conquistas, a Anistia Internacional destaca a presença de elementos de direitos humanos e a prestação de contas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. De acordo com o relatório, oito dos dez países mais violentos do mundo em 2015 são da América Latina e no Caribe. Em quatro deles – Brasil, Colômbia, México e Venezuela – se cometeu um de cada quatro homicídios violentos ocorridos no mundo. Para piorar, sistemas de segurança e de Justiça fracos, corruptos e carentes de recursos compactuaram com as impunidades, diz o texto. De cada 100 homicídios cometidos na América Latina, por exemplo, apenas 20 resultaram em condenação. No Brasil, indígenas e defensores de direitos humanos nas regiões rurais foram os grupos que mais sofreram violações de direitos humanos no Brasil em 2015. No campo global, os dispositivos criados depois da 2ª Guerra Mundial para evitar tragédias ocasionadas nas duas grandes guerras parecem ter sido esvaziados pelas grandes potências. A ONU muitas vezes tem sido lenta e pouco efetiva para responder às tragédias humanitárias que volta e meia surgem em alguma parte do globo. É preciso, pois, um esforço globo para que os direitos humanos não sejam apenas uma pomposa declaração, mas realidades concretas em todas as partes do planeta.

Mais matérias
desta edição