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Nº 5730
Opinião

O baculejo espiritual

As crises fazem parte da história da humanidade. Há até quem diga que na crise encontra-se novas oportunidades, pois aponta para diversas portas de saída, existentes, que antes não eram vistas. Atualmente em nosso País está em alta a crise política, que i

Por | Edição do dia 25/02/2016 - Matéria atualizada em 25/02/2016 às 00h00

As crises fazem parte da história da humanidade. Há até quem diga que na crise encontra-se novas oportunidades, pois aponta para diversas portas de saída, existentes, que antes não eram vistas. Atualmente em nosso País está em alta a crise política, que interfere diretamente no fator econômico, trazendo desconforto, perdas e desespero para muitos, principalmente os endividados. Os fóruns estão repletos de causas que esperam ser finalizadas, cada qual com seu advogado de defesa. Estar endividado em épocas de crise seria como ganhar na loteria o perdão da dívida, principalmente quando não temos como pagar. Muitos estão tão endividados que até podem desejar pagar tal dívida, mas não conseguirão mesmo que trabalhem toda a vida. As crises servem para nos alertar do perigo de uma baculejada, de que algo não está certo conosco. Geralmente o baculejo ou baku (gíria para busca pessoal) é um ato utilizado pela polícia para abordar suspeitos. O baculejo é feito por um policial ou um segurança de certos eventos e consiste na busca para localizar armas ou drogas que possam estar escondidas no corpo de um suspeito. Todos nós somos suspeitos em épocas econômicas de querer esconder e escapar de nossas dívidas. Portando, existe saída, quando diante de um juiz ele perdoa a nossa dívida. E qual a nossa reação diante de um perdão de uma dívida impagável? Como passamos a agir posteriormente? O evangelista Mateus relata uma parábola, exposta por Jesus, que diz: “Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos. E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos, valor de uma dívida impagável. Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga. Então, o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei. O senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida” (Mt 18.23-27). Após um baculejo espiritual, no qual se constatou toda a suspeita, o culpado foi perdoado. O triste dessa parábola é que, não muito tempo depois, esse que foi perdoado, passou a dar um baculejo em um que lhe devia uma dívida pagável. Como diz a continuação do texto: “Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves. Então, o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei. Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida. Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito e foram relatar ao seu senhor tudo que acontecera. Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida. Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão” (Mt 18.28-35). Podemos até escapar e esconder nossas suspeitas de um baculejo desta vida. Mas, não o podemos esconder e escapar de um baculejo espiritual, pois todos nós somos não apenas suspeitos, mas culpados. Que compadeçamos de nosso conservo, como Cristo tem compadecido de nós!

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