Opinião
Microeconomia
Planejar é preciso. Quer seja no sentido de necessidade, ou significando algo exato, a precisão está relacionada ao planejamento. No Brasil, as estruturas governamentais não planejam, ou quando anunciam fazê-lo, o fazem de forma imprecisa, desdenhando os resultados. Para citar um caso da imprecisão do planejamento brasileiro, basta observar o caso do horário de verão. Bagunça-se a vida do País ? e, ao fim e ao cabo, quanto se economizou de energia elétrica? Menos de 1 por cento. Pois é. Depois de tanto sacrifício, novamente se encerra um período de ?horário de verão? sem um balanço minimamente positivo. Em números exatos se economizou 0,2% de energia. As desculpas para um resultado tão medíocre são várias e nenhuma alcança o cerne da questão. Dizem os responsáveis pelo horário de verão: ?A população, depois do racionamento de energia, já vinha consumindo menos eletricidade. Outro motivo alegado é o maior uso de condicionadores de ar e ventiladores devido à onda de calor que afeta as regiões do país? (declarações editadas no site Folha Online). Analisando essas pérolas de justificativas, temos: no verão o uso de ventiladores e condicionadores de ar sofre um considerável aumento (verão é bem mais calor e não apenas maior luminosidade); e a economia de energia feita pela população depois do apagão é igualmente um fato ululante, perfeitamente detectável pelas próprias companhias de distribuição de eletricidade. Para aliviar o fracasso no campo da economia de eletricidade, as agências governamentais passaram a centrar o foco na redução de demanda durante os momentos de pico, onde se alcançou 4,5% de diminuição de consumo (quando a meta definida era de 4%). Como peça de propaganda, o Ministério das Minas e Energia cutuca ?esse percentual de redução, que é suficiente para construir uma usina hidrelétrica com capacidade de gerar 1.600 MW, o equivalente ao consumo de uma cidade como Curitiba (PR)?. Ok, vocês venceram. Quando e onde será construída essa nova usina? Afinal, planejar é preciso.