Opinião
Clareza e coer�ncia
Ainda em fase de elaboração, a Base Nacional Comum Curricular ? que vai padronizar 60% dos conteúdos a serem apresentados aos alunos dos ensinos Fundamental e Médio ? continua alimentando uma polêmica entre pais, professores e especialistas. O texto preliminar, que está disponível para consulta pública no site basenacionalcomum.mec.gov.br, foi elaborado por uma equipe de 116 especialistas de 35 universidades. Entre as maiores controvérsias está a listagem de tópicos previstos em História, sobretudo ao longo das três séries do Ensino Médio. Os críticos dessa proposta dizem que a disciplina privilegiaria a história do Brasil, das Américas e da África, restringindo expressivamente a abordagem de temas como a Antiguidade Clássica e a Idade Média, por exemplo. A base estaria muito focada em civilizações africanas, nos ameríndios. Com isso, os alunos deixariam de ver toda a parte da formação da civilização ocidental da qual fazem parte. É claro que ainda se trata de uma proposta que deverá passar por revisões, mas a questão deve ser bem discutida, com a participação de toda a sociedade. Além da questão do conteúdo, a mudança também vai ter impacto na confecção de livros didáticos, mecanismos de avaliação, como a Prova Brasil, e até mesmo nos cursos de licenciatura. O fato é que nova Base Nacional Comum Curricular precisa ter, sobretudo, maior clareza, coerência e coesão. É preciso estabelecer competências claras para a formação dos jovens, não apenas do ponto de vista das competências cognitivas, mas sua formação integral, pois impacto ? positivo ou negativo ? será sentido daqui a alguns anos e será crucial para o País. Além disso, é necessário que a nova base seja mais enxuta. Atualmente, o Brasil tem redes estaduais que trabalham com pouquíssimo tempo de permanência do aluno na escola, para ensinar 12 ou 13 disciplinas, algo contraproducente. Evidentemente, apenas estabelecer uma base curricular nacional não vai garantir, por si só, um salto de qualidade na educação brasileira. É preciso melhorar todo o conjunto: estruturar melhor as escolas e melhorar as condições de trabalho dos professores. São medidas que precisam ser tomadas em conjunto, caso contrário, serão inócuas, como tantas adotadas em outras épocas. O País não pode mais se dar ao luxo de desperdiçar oportunidades.