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Opinião

Em defesa da engenharia alagoana

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Remonta ao ano de 1970 a inauguração do Estádio Rei Pelé, mais conhecido como Trapichão, obra monumental construída por destacados colegas alagoanos, tendo a cobertura de arquibancadas em balanço de concreto ? solta em um dos lados ? com vão livre de 26 m, o segundo maior do Brasil. Lembro-me de ter subido ? salvo engano na década de 1990 ? em um dos postes de iluminação, sob forte corrosão de armaduras ? ferros envolvidos por concreto ? para inspecionar danos e propor opções de recuperação estrutural que foi executada alguns anos depois. Como calculista de estruturas no exercício profissional há 49 anos, participei, em 2007, junto com diversos colegas, de uma reunião técnica com vista à definição de providências para corrigir problemas no estádio, já com peças estruturais novamente comprometidas por corrosão de armaduras, decorrente da maresia que o vento traz para as nossas obras em forma de aerossóis salinos, agressivos, oriundos do oceano. Os gestores visavam um serviço gratuito porque era para o futebol alagoano, que a mim parece não ser um serviço essencial, e não me consta que médicos e advogados deem consultas gratuitas por ser notório o cliente. Com várias centenas de obras calculadas, dezenas de perícias realizadas e tantas recuperações e reforços estruturais projetados, condomínios me procuram ? assim como a vários colegas dessa área ? para elaborar laudos que registram defeitos em seus edifícios. Não fiz o laudo do Motrisa, em parceria com outros engenheiros especializados, porque o Crea se declarou incompetente, institucionalmente, por não constar de sua legislação tal atribuição. Senti-me, assim como muitos profissionais, desacatado pela secretária de Estado de Esporte, Cláudia Petuba, que se manifestou em uma emissora de rádio de Maceió informando que por inexistirem em Alagoas engenheiros e empresas qualificados, estaria contratando ? por cifras substanciais, cem mil reais para um laudo, cem mil para o projeto, um e meio milhão para reparos ? empresas de outros estados para vistorias, projeto e execução de serviços no Trapichão, mesmo já existindo laudos gratuitos elaborados por engenheiros do Estado, e por terceiros. A UFAL tem professores, doutores, qualificados e um dos melhores cursos de Engenharia Civil do Brasil ? Classe A. A secretária deve entender de pelotas, mas nós, engenheiros alagoanos, sabemos, sim, fazer engenharia. Conclamo o Clube de Engenharia e o Sindicato dos Engenheiros a se manifestarem em defesa da classe.

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