app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 5732
Opinião

MICROCEFALIA NUMA CULTURA DE MORTE

Estamos todos alertas para saber as causas de tantos bebês com microcefalia em nosso país e as atitudes dos pesquisadores na área da saúde são louváveis, visto que a tentativa de descobertas é contrária ao tempo, e a demora em encontrar soluções tem preju

Por | Edição do dia 04/03/2016 - Matéria atualizada em 04/03/2016 às 00h00

Estamos todos alertas para saber as causas de tantos bebês com microcefalia em nosso país e as atitudes dos pesquisadores na área da saúde são louváveis, visto que a tentativa de descobertas é contrária ao tempo, e a demora em encontrar soluções tem prejudicado a muitos nascituros. Contudo, na contramão, há aqueles que já procuraram resolver a questão de forma rápida. Numa cultura de morte como a nossa, em que o aborto é somente visto pelo viés da saúde pública, por que não matar os bebês que estão com microcefalia? Pois essa foi a via escolhida por muitas mães. As reportagens falando sobre o aumento das vendas de pílulas abortivas por conta do surto da microcefalia estão a corroborar isso. Sinto vergonha de pensar em soluções como essa. Que moral nós temos diante de outras nações se a história não nos ensina e cometemos os mesmos erros do passado? Critica-se tanto a Alemanha na época de Hitler e agimos da mesma forma, pois decidimos quem vai viver na base dos nossos parâmetros! O feto só tem o direito de nascer caso esteja em condições perfeitas para isso? Então, deveríamos ter matado todas as pessoas com deficiências simplesmente porque elas não estão enquadradas em nossos paradigmas? Não somente é estúpido agir assim, mas extremamente desumano. Hoje, a educação das crianças e dos jovens não se pauta mais em valores morais e éticos. Pouco se pensa nas consequências, e o resultado, a mídia também mostra, pois a quantidade de assassinatos sempre tem aumentado. Lembro-me de algumas mães que aconselhei a não abortar. Sempre que as encontro, um filme passa em minha mente. Elas me agradecem, pois falam da beleza de serem mães e o quanto a vida delas foi transformada. E por que um filho com deficiência não iria causar o mesmo? A mãe continua sendo mãe. E a criança, com microcefalia ou qualquer outra alteração física, tem todo o direito de ser amada como um ser humano. Mais amor, menos mortes, é o que pedimos! Agradeço a todos os que são pais de pessoas com deficiências e que tiveram a coragem de assumi-las em face das dificuldades e dos sofrimentos de suas condições. Gostaria que a voz de vocês pudesse ecoar em nossa sociedade hedonista e marcada pela morte. Assim, a vida seria sempre uma prioridade. Para todos.

Mais matérias
desta edição