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Nº 5735
Opinião

A ESPERA DOS GRANDES DESEJOS

Os valores das batalhas da existência e os personagens que compõem os cenários dos sonhos traduzem a incessante busca humana de alcançar oportunidade e espaço para definir suas emoções realizadoras. Essa reflexão exalta a capacidade do ser humano de cria

Por | Edição do dia 04/03/2016 - Matéria atualizada em 04/03/2016 às 00h00

Os valores das batalhas da existência e os personagens que compõem os cenários dos sonhos traduzem a incessante busca humana de alcançar oportunidade e espaço para definir suas emoções realizadoras. Essa reflexão exalta a capacidade do ser humano de criar a imagem ideal de seus sonhos. Trabalhando para superar as pequenas imperfeições, alimentando a expressão transformadora dos afetos e fortalecendo o olhar de uma inspiração duradoura. Os fenômenos presentes nos diversos campos do saber e nos projetos de cada ser humano acompanham os anseios de seu ofício e de suas conquistas. A inquietação das ambições impulsiona o espírito para o crescimento, somando esforços e expectativas cultivados. O mundo da cultura incentiva os símbolos das vaidades humanas. Muitos buscam as consagrações que solenizam o reinado das letras. Outros preferem o silêncio dos livros, a companhia dos mestres que murmuram eternas verdades. Sem apelar para o reconhecimento dos homens, se sentem inseridos na história do seu tempo. A plenitude do ideal valoriza a busca dos detalhes, os caprichos da vocação perseguida, as descobertas redentoras, as construções movidas pela preferência dos gestos. Existem noites que nos devolvem todas as outras noites perdidas, disse a inspiração poética de Omar Khayyam. Os grandes desejos se constituem atos de longas esperas, sujeitas à paciente organização do tempo. A devotada dedicação que qualifica a pretensão. Enfim, o coroamento das alegrias que se multiplicam nos momentos triunfantes. O menino do antigo engenho Mutange, de Maceió, que se tornaria o maior jurista do século, Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda, tratadista de renome internacional, alimentou desde cedo o desejo de ingressar na Academia Brasileira de Letras. Somente conseguiu alcançar a láurea aos 87 anos de idade, em disputado terceiro pleito eleitoral. Recepcionado pelo imortal acadêmico, jurista Miguel Reale, ouviu, na memorável solenidade, o reconhecimento da grandeza de sua vida e de sua obra. Além da certeza de que o tempo retroage para contemplar o caminho inicial do desejo criador. Pontes de Miranda exaltou, em seu discurso de posse, uma lição emanada do seu próprio pensamento, ao afirmar solenemente: “A glória que tarda é maior, porque exige mais altos espíritos para proclamar a beleza da vitória”.

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