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Opinião

POR MAIS MULHERES NA POL�TICA

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Tenho dito por onde passo que vivemos momentos difíceis. Estamos vivendo a pior crise de nossa recente democracia, e neste mês talvez tenhamos chegado ao fundo do poço. Mas a crise não é apenas política ou financeira. É crise ética, uma crise de valores: decência, moral e honra são características cada vez mais raras no Brasil atual. Mas são nestes momentos de crise que as oportunidades se abrem. E hoje, dia internacional da mulher, em um ano eleitoral, é momento que pede reflexão: por que não estamos na política? Hoje somos 52% do eleitorado e, apesar do cargo máximo da República ser ocupado por uma mulher, a participação feminina na esfera de poder ainda é baixa. Constituem 8% da Câmara dos Deputados e 16% do Senado. A tímida representação feminina no Poder Legislativo se mantém inalterada mesmo depois da aprovação da lei de cotas de 30% para as mulheres. Mesmo assim, esta ?cota? de candidatas não vem sendo respeitada. Na eleição de 2010 apenas 18% dos partidos cumpriram a regra. Em quatro estados nenhum partido cumpriu a regra ? ES, MA, PB e TO. O que não se pode ignorar é que este desequilíbrio é fruto, principalmente, da pouca consciência das mulheres acerca de seu peso na sociedade. Cabe também a nós mulheres, ir atrás, protestar, erguer esta bandeira e lutar pelo espaço que deve ser nosso. Como dito, as mulheres precisam se conscientizar do atual estado das coisas. Atualmente, as mulheres pagam a conta, mas não sentam na mesa. Em 2012 e 2013, a filiação partidária de mulheres cresceu bastante: 64% de mulheres contra 36% de homens. Mas esse crescimento deve continuar, pois ainda estamos muito atrás deles. São, no total, 55% de homens contra 44% de mulheres filiadas. No cenário atual é imperiosa a alteração do sistema político eleitoral, incluindo políticas afirmativas nos critérios de divisão dos recursos do Fundo Partidário para homens e mulheres candidatos. Dando espaço, incentivando, capacitando e distribuindo receita igualitariamente. A baixa representatividade está na contramão do protagonismo feminino. Na OAB, 30% do cargos já devem, obrigatoriamente, ser ocupados por mulheres. Nossa missão agora é estabelecer esta cota para a política nacional. Cabe a nós mulheres corrermos atrás desta conquista.

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