Opinião
REP�BLICA DE CLEPTOCRACIA
Tinha razão aquele parlamentar do PR, Vinícius Gurgel, quando classificou a Comissão de Ética da Câmara dos Deputados da qual é parte integrante como: ?fachada de igreja e por dentro um cabaré...? Aliás, já houve um tempo em que algumas casas de recursos mereciam bem mais respeito! Se assim se definem, que diremos nós povo por eles vilipendiado? Nada mais falta acontecer nesse circo de pouquíssima vergonha. São de estarrecer os últimos acontecimentos na fedida conjuntura da política nacional. São tantos escroques, sujeira, tanta mentira e escândalos que parece estar aqui instalada a República da Cleptocracia. João Emanoel Carneiro teria buscado inspiração na periculosidade dessa facção para escrever ?A Regra do Jogo?? Talvez, sim, porque nossa realidade parece coisa de seriado produzido para a TV, recheado de suspense, tramas, emocionantes ações policiais. Poderíamos também chamar de ?máfia do bom relacionamento? com mais de uma década de patéticas historias. As máfias do bom relacionamento são organizações comuns no meio da bandidagem, em que o mafioso chefe compra a veneração dos pobres e fanáticos com pequenos favores e fortalece sua aproximação dos ricos facilitando negócios obscuros. Na linguagem moderna de certas organizações criminosas, surgem até pixulecos e acarajés, consideradas moeda corrente inventada para blindar o acesso ao ?pai? e seus devotados asseclas. Numa trama de tamanha complexidade, não é fácil separar o joio do trigo. Em ?A Regra do Jogo? Gibson espalhou desgraça e dor aos supostos mais fracos se achando acima do bem e do mal. Outros mafiosos enriquecem e protegem parentes de sangue, ao contrário do gangster da ficção que transformou a vida familiar num inferno ardente. Não se rouba a cidadania de uma sociedade sem lhes causar danos profundos de sofrimento por faltar-lhe tudo o que o estado de direito democrático deveria proporcionar, como acesso ao trabalho, saúde e escola. Ninguém está acima da lei e não se pode ironizar a justiça que cobra explicação pelo crime sistêmico institucionalizado. Não é mais possível prevalecer a mentira e traição para se perpetuar do poder, característica própria dos carrascos ditadores. Quando um líder acuado pela descoberta dos seus desmandos convoca a fanática militância para a guerra nas ruas, literalmente instalou-se a desordem. Quando se estimula o confronto pela violência é hora de a sociedade acordar e dizer ?não? para a prepotência, ?não? para quem usou os fracos, aliou-se ao poder econômico e construiu a maior organização criminosa que se tem conhecimento na história. Quando se perde o respeito do seu povo e do resto mundo democrático, é porque acendeu a luz vermelha e definitivamente chegou a hora da verdade, doa em quem doer antes que seja tarde demais.