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Opinião

Brasil favelado

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Há problemas tão grandes e graves quanto a fome a ameaçar o Brasil do século XXI. A própria fome é produto, desde antes da modernidade, do desemprego e da exclusão. Ao se decidir enfrentar a fome, portanto, é mister combater as suas causas. Procurar debelar apenas as conseqüências é, apesar de louvável, apenas um ato filantrópico. O aumento da miséria, causada pelo espalhar do desemprego, é algo assustador. Para se ter uma idéia da gravidade desse problema, basta dar uma olhada nos resultados de uma pesquisa divulgada recentemente pela Prefeitura de São Paulo, a maior e mais industrializada cidade brasileira. Segundo os estudos realizados pela prefeitura paulistana, na última década surgiram 464 novas favelas naquele município. A cada semana, uma nova favela se instalou na maior cidade do Brasil, durante 1991 a 2000. Segundo essa pesquisa, enquanto a população total de São Paulo aumentou 8% no período, a população favelada cresceu 30% (1,16 milhão de pessoas eram faveladas em 2000, enquanto em 1991 esse número era de 891.673). Ainda segundo o divulgado na imprensa, ?na década em questão, as áreas faveladas cresceram 6 km2 (haviam 2.018 favelas em 2000, ante 1.975 favelas em 1991). Atualmente, as áreas faveladas correspondem a 2% da capital paulista (30,62 km2). Pela velocidade com que surgiram, a expectativa era que ao final da década o número de favelas fosse maior, mas 419 desapareceram por se fundirem com as maiores ou por serem desfeitas, em decorrência de acidentes?. Sempre se disse que ?São Paulo é a locomotiva do Brasil?. A coisa não é bem assim, mas é inegável a supremacia daquele grande Estado e o que lá acontece deve-se prestar bastante atenção, pois é termômetro e indicativo dos fenômenos nacionais. E a favelização é um fenômeno nacional, presente em todas as grandes e médias cidades. Seu crescimento indica algo mais que o crescimento da fome ? é o espalhar da desesperança, é a ampliação das condições propícias ao crime organizado. Essa realidade não é apenas paulista e todos os estados e municípios devem atentar para isso.

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