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Fartura e desperd�cio

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Pesquisa feita pela Embrapa em 2014 mostrou que o desperdício de alimentos no Brasil chegava a 40 mil toneladas por dia. Equivale aproximadamente a 30% de toda a produção agrícola. Anualmente, a quantia acumulada seria suficiente para alimentar cerca de 19 milhões de pessoas diariamente. O desperdício ocorre em várias etapas. Segundo a Embrapa, a perda de frutas e hortaliças ainda no campo chega a 10%. A maior perda, entretanto, está no transporte: 50%. Mas, se o alimento chega machucado, aí é motivo de mais descarte. Resultado: no Brasil, 58% do lixo é de comida. Isso num País em que uma boa parcela da população tem deficiência nutricional. Atualmente tramitam no Congresso Nacional três projetos de lei que tratam justamente dessa questão. Em comum eles têm o propósito de incentivar as doações de alimentos, isentando o doador de responsabilidade civil e penal em caso de dano pelo consumo do alimento doado, desde que não seja caracterizado dolo e negligência. Uma das propostas obriga supermercados, sacolões, mercados, feiras e restaurantes com mais de 200 metros quadrados de área construída a firmar contratos de doação com entidades que fazem a distribuição de alimentos à população carente. Já existem algumas iniciativas nesse sentido. Há também a proposta de criar a Política Nacional de Combate ao Desperdício de Alimentos, prevendo campanhas para conscientização da população e concessão de incentivos para fabricantes de equipamentos de processamento de alimentos que reduzam perdas. Não há dúvidas de que se trata de medidas importantes para corrigir essa distorção, que não é um problema exclusivo do Brasil. Nos países pobres, o desperdício ocorre no início da cadeia produtiva, por falta de tecnologia e dificuldades no armazenamento e no transporte. Já nos países ricos, a situação se agrava nos supermercados e na casa do consumidor, acostumado a comprar mais do que precisa. O Brasil pode ser visto como um caso à parte, porque tem tanto aspectos de países ricos quanto de países pobres. Portanto, além de melhorar a questão de transporte e armazenamento, é preciso uma mudança de hábito para não descartar alimentos sem necessidade. O fato de sermos um País de fartura não justifica nenhum tipo de desperdício.

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