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DIA DA MULHER: CELEBRA��O OU REFLEX�O?

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O tema desta crônica é tão comum quanto o descaso, o desrespeito e a humilhação àquela que gera e alimenta gerações; que, independente do seu nível sociocultural, assegura o relacionamento familiar, desempenha tarefas domésticas e enfrenta o trabalho externo ao seu lar. Ser mulher, ainda que neste Terceiro Milênio, é motivo de repressão e de violência. Por isso, esse dia, antes de se tornar uma homenagem, é motivo de reflexão, de luta pela liberdade e pela sua autonomia econômica. A sociedade nega-lhe cargos de confiança, despreza-lhe valores ou currículos e destina-lhe uma mão de obra não qualificada, num ultraje às regras de uma convivência sadia. Imagens de mulheres com rostos marcados pela violência machista (através de socos, ferro, fogo e facas pontiagudas) são estampadas em jornais, revistas e tevês, num desafio à Justiça que acoberta os desmandos do agressor. As juras de amor diante do altar ou seladas na intimidade a dois são esquecidas e impulsionadas pelo desrespeito, violando todo sentimento e qualquer direito, quando as ocorrências catalogadas nas delegacias são menores que as camufladas pelas conveniências, desrespeitando idades e grupos sociais, numa depreciação de seus valores. Então, o amor é relegado face ao desgaste emocional sem pacto ou diálogo entre seus companheiros, privando as mulheres do respeito que lhes seria assegurado pelos direitos humanos. Ser mulher não significa ser superior nem lhe dá autoridade sobre nenhum outro ente humano, todavia confere-lhe o poder legítimo de interceder por seus direitos; de restabelecer sua cidadania e desviar-se dos rótulos que não a definem, mas a identificam perante um mundo que apenas prestigia o mais forte, o mais poderoso. Uma sociedade que a induz a medir forças sem sequer oferecer-lhe novas formas de relações e de parcerias. Vive-se um processo de mudanças e de transformações que parece não acompanhar o avanço da tecnologia e a rapidez do tempo. Computadores e clones foram inventados pelo mesmo ?senhor? que subestima a inteligência de companheiras de trabalho e lhes recusam o prazer de partilhar suas conquistas. Diz-se que a ?discriminação é parceira da violência?. Esta ? sim ? deve ser evitada sob qualquer pretexto, qualquer hipótese, acreditando sempre na construção de uma sociedade livre, igualitária e solidária. Portanto, firme-se a esperança de algum dia ser celebrado o Dia da Mulher sem mágoas nem opressões; de comemorar a comunhão entre indivíduos comprometidos com o respeito mútuo aos seus ideais; de conviver numa conexão perfeita entre sexos que já não se digladiam, todavia, afina-se e se completam em suas diferenças.

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